{"id":1673,"date":"2020-08-28T19:32:53","date_gmt":"2020-08-28T22:32:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/?p=1673"},"modified":"2020-08-28T19:32:53","modified_gmt":"2020-08-28T22:32:53","slug":"impactos-da-pandemia-de-covid-19-sobre-a-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2020\/08\/28\/impactos-da-pandemia-de-covid-19-sobre-a-economia-brasileira\/","title":{"rendered":"Impactos da Pandemia de Covid-19 sobre a Economia Brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Texto escrito por Paulo Ricardo S. Oliveira*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A chamada \u201csegunda onda\u201d da pandemia de Sars-Cov-2, isto \u00e9, a crise econ\u00f4mica do p\u00f3s-pandemia, tem sido objeto de discuss\u00e3o entre os especialistas. As necessidades de isolamento social impostas pela pandemia certamente tem impactos sobre a economia, e \u00e9 sabido que os efeitos delet\u00e9rios na economia podem perdurar para al\u00e9m da dissolu\u00e7\u00e3o da crise sanit\u00e1ria. Mas em qual propor\u00e7\u00e3o a pandemia deve afetar a economia brasileira? Nesta nota, busca-se lan\u00e7ar luz sobre essa quest\u00e3o com bases na avalia\u00e7\u00e3o dos dados da atividade econ\u00f4mica no primeiro trimestre e nas proje\u00e7\u00f5es para a retra\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro no ano de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de analisar os dados, \u00e9 importante reconhecer que a crise da pandemia n\u00e3o cessa a retomada do crescimento da economia brasileira. A crise da pandemia chega ao Brasil num per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que pode ser visto como um desdobramento da crise financeira global e da crise pol\u00edtica brasileira, com efeitos mais dram\u00e1ticos a partir de 2014. Em 2015, por exemplo, o PIB brasileiro encolheu -3,15%. Em 2016, houve nova retra\u00e7\u00e3o de -2,90%. Desde ent\u00e3o, temos observado taxas de crescimento inferiores a 1,5%, n\u00edvel considerado baixo para as economias emergentes. Por fim, no ano passado, a economia brasileira cresceu apenas 1,08%, e \u00e9 neste contexto de estagna\u00e7\u00e3o que a crise da pandemia nos atinge.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Impactos da pandemia no 1\u00ba Trimestre\/ 2020<\/strong><\/em><\/h4>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os dados oficiais, o PIB brasileiro recuou -1,5% no primeiro trimestre de 2020, em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo trimestre de 2019. Sob a \u00f3tica da oferta, o PIB industrial recuou -1,4%, servi\u00e7os -1,6%, enquanto a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria apresentou crescimento de 0,6%.&nbsp; Do lado da demanda, a pandemia afetou significativamente o consumo das fam\u00edlias, que caiu -2,0% no 1\u00b0 Trimestre\/2020 \u2013 maior queda desde 2001. Na contram\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital, isto \u00e9, a compra das empresas de bens de capital como m\u00e1quinas e equipamentos, cresceu 3,1%, sobretudo pela baixa base de compara\u00e7\u00e3o do 4\u00ba Trimestre\/2019. Por fim, os gastos do governo cresceram apenas 0,2%, mesmo diante da gravidade da pandemia<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00edndices de atividade, divulgados para os meses entre janeiro e junho\/2020, revelam que, apesar de indicadores positivos na compara\u00e7\u00e3o m\u00eas a m\u00eas desde maio\/2020, ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os acumulam quedas significativas na compara\u00e7\u00e3o entre o 1\u00b0 Trimestre\/2020 e o 1\u00b0 Trimestre\/2019, como mostra a <strong>Tabela 1<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela 1.<\/strong> \u00cdndices de atividade econ\u00f4mica na ind\u00fastria, servi\u00e7os e com\u00e9rcio \u2013 Junho\/2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table alignleft\"><table><tbody><tr><td>&nbsp;<\/td><td>Ind\u00fastria<\/td><td>Com\u00e9rcio<\/td><td>Servi\u00e7os<\/td><\/tr><tr><td>Taxa de varia\u00e7\u00e3o mensal (ref. Maio\/20)<\/td><td>8,9%<\/td><td>12,6%<\/td><td>5,0%<\/td><\/tr><tr><td>Taxa de varia\u00e7\u00e3o mensal (ref. Junho\/19)<\/td><td>-9,0%<\/td><td>-0,9%<\/td><td>-12,1%<\/td><\/tr><tr><td>Taxa de varia\u00e7\u00e3o semestral (ref. 1S\/19)<\/td><td>-10,9%<\/td><td>-7,4%<\/td><td>-8,3%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>Notas: Com\u00e9rcio \u2013 \u00edndice de volume de vendas no com\u00e9rcio varejista ampliado | Servi\u00e7os \u2013 \u00edndice de volume de servi\u00e7os | Ind\u00fastria \u2013 \u00edndice de produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial.<br>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com bases nas Pesquisa Mensal de Com\u00e9rcio, Pesquisa Mensal de Servi\u00e7o e Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>De forma contra intuitiva, nota-se que a ind\u00fastria foi o setor mais afetado na compara\u00e7\u00e3o trimestral, acumulando queda de -10,9% no 1\u00b0 Trimestre\/2020. Da mesma forma, a despeito das taxas positivas para compara\u00e7\u00e3o m\u00eas a m\u00eas, o com\u00e9rcio encolheu -7,4% e os servi\u00e7os -8,3% no 1\u00b0 Trimestre\/2020. A <strong>Tabela 2<\/strong> mostra a queda por categoria econ\u00f4mica industrial.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela 2<\/strong>. Varia\u00e7\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica Industrial por Categoria Econ\u00f4mica<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><\/td><td>Var. 1T\/2020 1T\/2019<\/td><td>Var. Mensal Jun\/2020 Jun\/2019<\/td><td>Var. Mensal Jun\/2020 Maio\/2020<\/td><\/tr><tr><td>Bens de capital<\/td><td>-21,2<\/td><td>-22,2<\/td><td>13,1<\/td><\/tr><tr><td>Bens intermedi\u00e1rios<\/td><td>-6,6<\/td><td>-5,9<\/td><td>4,9<\/td><\/tr><tr><td>Bens de consumo<\/td><td>-16,2<\/td><td>-11,6<\/td><td>15,9<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bens de consumo dur\u00e1veis<\/td><td>-36,8<\/td><td>-35,1<\/td><td>82,2<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bens de consumo semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis<\/td><td>-10,3<\/td><td>-5,6<\/td><td>6,4<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>Fonte: Produ\u00e7\u00e3o Industrial Mensal \u2013 Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica\/ IBGE.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Nota-se, que o fechamento do semestre, refor\u00e7a a persist\u00eancia dos indicadores negativos e revertem os indicadores positivos verificados nas contas nacionais no 1\u00b0 Trimestre\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao emprego, os dados mais recentes apontam que a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o vem crescendo desde maio\/2020, quando estava em 10,5%, e atingiu o ponto m\u00e1ximo do per\u00edodo no final de julho\/2020, quando chegou a 13,7%. Tamb\u00e9m na \u00faltima semana de julho, o pa\u00eds tinha 5,8 milh\u00f5es de pessoas afastadas do trabalho devido ao distanciamento social, 8,3 milh\u00f5es de pessoas em trabalho remoto, 18,7 milh\u00f5es de pessoas trabalhando menos que o habitual e 29,5 milh\u00f5es de pessoas com rendimentos menor do que o habitual. Mais preocupante, estima-se que, neste momento, 18,5 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o procuram emprego por conta da pandemia ou por falta de trabalho na sua localidade e 43,0% dos domic\u00edlios nacionais recebem aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia da dimens\u00e3o da amplitude do aux\u00edlio emergencial, o bolsa fam\u00edlia, um dos maiores programas de transfer\u00eancia de renda da hist\u00f3ria recente brasileira, beneficiou 13,5% dos domic\u00edlios brasileiros, em 2019 <a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, \u00e9 poss\u00edvel verificar que os impactos no setor externo da economia brasileira t\u00eam sido consider\u00e1veis. As exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edram -7,7% e as importa\u00e7\u00f5es -5,21% no 1\u00ba Semestre\/2020. Apesar das quedas relativamente baixas, o impacto qualitativo da crise sobre a pauta de exporta\u00e7\u00e3o merece destaque. Como esperado, dada a elasticidade renda das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>, isto \u00e9, como a demanda internacional de cada bem responde a movimentos na renda internacional, a queda foi maior para produtos mais complexos e menor para produtos menos complexos. Produtos mais complexos s\u00e3o produzidos em pa\u00edses mais avan\u00e7ados tecnologicamente, demandam mais conhecimentos para serem manufaturados e possuem maior valor agregado. A <strong>Tabela 3<\/strong> mostra a varia\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es por categoria de complexidade para economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela 3<\/strong>. Varia\u00e7\u00e3o das Exporta\u00e7\u00f5es por Categoria de Complexidade \u2013 1\u00b0 Trimestre\/2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Grau de Complexidade<\/td><td>Exporta\u00e7\u00f5es (bilh\u00f5es USD)<\/td><td>% do total exportado<\/td><td>Var. % 2019\/2020<\/td><\/tr><tr><td>Baixa<\/td><td>28,34<\/td><td>27,9%<\/td><td>-6,5%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-baixa&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/td><td>45,6<\/td><td>45,0%<\/td><td>7,9%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-alta<\/td><td>22,6<\/td><td>22,3%<\/td><td>-25,5%<\/td><\/tr><tr><td>Alta<\/td><td>46,3<\/td><td>4,5%<\/td><td>-30,6%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>&nbsp;Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base nos dados do Minist\u00e9rio da Economia e do Observat\u00f3rio de Complexidade Econ\u00f4mica.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nota-se que as quedas mais acentuadas nas exporta\u00e7\u00f5es se deram nas categorias de produtos mais complexos, isto \u00e9, a pandemia alterou a qualidade da pauta exportadora nacional. A revers\u00e3o deste impacto qualitativo vai depender da recupera\u00e7\u00e3o das economias parceiras e do grau de protecionismo que pode ampliar-se no p\u00f3s-pandemia. A queda nas importa\u00e7\u00f5es, no entanto, foi mais equilibrada dentre as principais categorias de complexidade, como mostra a <strong>Tabela 4.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela 4<\/strong>. Varia\u00e7\u00e3o nas Importa\u00e7\u00f5es por Categoria de Complexidade \u2013 1\u00ba Trimestre\/2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Grau de Complexidade<\/td><td>Importa\u00e7\u00f5es (bilh\u00f5es USD)<\/td><td>% do Total Importado<\/td><td>Var. % 19\/20<\/td><\/tr><tr><td>Baixa<\/td><td>3,8<\/td><td>4,8%<\/td><td>-24,0%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-baixa&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/td><td>21,5<\/td><td>27,1%<\/td><td>-5,6%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-alta<\/td><td>36,3<\/td><td>45,7%<\/td><td>-2,4%<\/td><\/tr><tr><td>Alta<\/td><td>17,6<\/td><td>22,2%<\/td><td>-5,0%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>&nbsp;Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base nos dados do Minist\u00e9rio da Economia e do Observat\u00f3rio de Complexidade &nbsp;&nbsp;Econ\u00f4mica.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Proje\u00e7\u00f5es de Impactos da pandemia em \/2020<\/strong><\/em><\/h4>\n\n\n\n<p>Infelizmente, as principais proje\u00e7\u00f5es para economia brasileira no 2\u00ba semestre de 2020 refor\u00e7am a continuidade das quedas verificadas at\u00e9 o momento. A proje\u00e7\u00e3o mais recente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) prev\u00ea que a economia brasileira deve encolher -9,1%, em 2020<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>. A mesma institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m prev\u00ea que a economia global sofrer\u00e1 retra\u00e7\u00e3o de -4,9% neste ano.&nbsp; As proje\u00e7\u00f5es do Banco Central do Brasil (BCB), no entanto, s\u00e3o mais otimistas, prevendo uma retra\u00e7\u00e3o anual de -6,4%, ao mesmo tempo que reconhece que o n\u00edvel de incerteza continua elevado para os pr\u00f3ximos trimestres<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das proje\u00e7\u00f5es mais robustas sobre os impactos econ\u00f4micos da pandemia, que utiliza dados da matriz-insumo produto brasileira, foi feito pelo Grupo de Ind\u00fastria e Competitividade do Instituto de Economia da UFRJ<a href=\"#_ftn7\">[7]<\/a>. O estudo prev\u00ea tr\u00eas cen\u00e1rios para o comportamento do PIB e os componentes da demanda final, em 2020, como mostra a <strong>Tabela 5<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela 5<\/strong>. Proje\u00e7\u00f5es de retra\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro \u2013 2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Cen\u00e1rios<\/td><td>Var. PIB<\/td><td>Consumo das Fam\u00edlias<\/td><td>Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital<\/td><td>Gasto do Governo<\/td><td>Exporta\u00e7\u00f5es<\/td><\/tr><tr><td>Otimista<\/td><td>-3,1%<\/td><td>-1,5%<\/td><td>-10,0%<\/td><td>2,5%<\/td><td>-6,6%<\/td><\/tr><tr><td>Refer\u00eancia<\/td><td>-6,4%<\/td><td>-3,8%<\/td><td>-20,0%<\/td><td>2,5%<\/td><td>-15,7%<\/td><\/tr><tr><td>Pessimista<\/td><td>-11,0%<\/td><td>-8,3%<\/td><td>-30,0%<\/td><td>2,5%<\/td><td>-20,4%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>Fonte: GIC UFRJ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, as diferentes fontes convergem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s previs\u00f5es para economia brasileira em 2020. Mesmo as estimativas do governo j\u00e1 se aproximam do cen\u00e1rio de refer\u00eancia, e a estimativa do Fundo Monet\u00e1rio Internacional do cen\u00e1rio mais pessimista estimado pelos pesquisadores do IE\/UFRJ. Neste cen\u00e1rio, at\u00e9 o final de 2020, espera-se que as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras caiam -20,4%, a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo -30% e o consumo das familiais -8,3%.&nbsp; O aumento de 2,5% nos gastos do governo, foram estimados a partir da previs\u00e3o dos gastos adicionais com a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>&nbsp;Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/em><\/h4>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, os n\u00fameros e proje\u00e7\u00f5es do ano corrente indicam que os impactos da crise sobre a economia brasileira ser\u00e3o consider\u00e1veis, piores do que os verificados em virtude dos desdobramentos da crise financeira e pol\u00edtica de 2014. Certamente, os impactos n\u00e3o afetar\u00e3o apenas a economia nacional, mas tamb\u00e9m as demais economias globais. As economias que n\u00e3o lograram o r\u00e1pido controle da epidemia e continuam alimentando altos n\u00edveis de incerteza sobre a capacidade de controle da crise sanit\u00e1ria tendem a sofrer mais intensamente os impactos da \u201csegunda-onda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso ter em mente que essa crise, al\u00e9m do maior impacto sobre PIB brasileiro, tem car\u00e1ter bastante distinto da crise financeira global de 2008<a href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>. Por afetar diretamente a capacidade produtiva, a crise da pandemia faz com que as pol\u00edticas monet\u00e1rias sejam relativamente ineficazes na retomada da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que <em>policymakers <\/em>do mundo inteiro t\u00eam cada vez mais destacado a import\u00e2ncia da pol\u00edtica fiscal expansionista (gasto do governo) para a retomada econ\u00f4mica no p\u00f3s-pandemia. As autoridades econ\u00f4micas nacionais, no entanto, tendem a perceber a pandemia e seus impactos como um fen\u00f4meno tempor\u00e1rio, e descartar a possibilidade da amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos. Essa percep\u00e7\u00e3o incorreta da gravidade da crise pode comprometer a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e prolongar o cen\u00e1rio de estagna\u00e7\u00e3o da economia brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista do choque externo e da pol\u00edtica comercial e industrial no p\u00f3s-crise, \u00e9 prov\u00e1vel que os efeitos da queda na renda global e pol\u00edticas mais protecionistas de com\u00e9rcio afetem as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de forma significativa. \u00c9 v\u00e1lido lembrar que, apesar da predomin\u00e2ncia do consumo interno sobre o produto nacional, a ind\u00fastria brasileira \u00e9 altamente dependente da importa\u00e7\u00e3o de insumos industriais e pode ser afetada pela quebra de algumas cadeias de fornecimento que ser\u00e3o afetadas por poss\u00edveis guinadas protecionistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, esse recuo na liberaliza\u00e7\u00e3o comercial pode gerar algum espa\u00e7o para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas industriais e comerciais mais alinhadas com os objetivos de desenvolvimento da ind\u00fastria nacional. De todo modo, qualquer movimento neste sentido parece improv\u00e1vel diante da atual vis\u00e3o liberalizante das autoridades econ\u00f4micas nacionais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para saber mais<\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Dados do IBGE, Sistema de Contas Nacionais Anuais. Produto Interno Bruto (PIB) a pre\u00e7os b\u00e1sicos, varia\u00e7\u00e3o real anual.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Dados do IBGE, Sistema de Contas Nacionais Trimestrais. Dados dessazonalizados, dispon\u00edveis em <a href=\"https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/tabela\/5932#\/n1\/all\/v\/6564\/p\/201901,201902,201903,201904,202001\/c11255\/all\/d\/v6564%201\/l\/v,p,t+c11255\/resultado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/tabela\/5932#\/n1\/all\/v\/6564\/p\/201901,201902,201903,201904,202001\/c11255\/all\/d\/v6564%201\/l\/v,p,t+c11255\/resultado<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> PNAD-Covid\/IBGE (2020) Dados da PNAD-COVID\/IBGE, dispon\u00edveis em &nbsp;<a href=\"https:\/\/covid19.ibge.gov.br\/pnad-covid\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/covid19.ibge.gov.br\/pnad-covid\/<\/a> .<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Informalmente, elasticidade renda das importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es refere-se a mudan\u00e7a percentual no volume destes dois fluxos ap\u00f3s uma varia\u00e7\u00e3o na renda.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> Dados do <em>World Economic Outlook<\/em>, Junho\/2020 do FMI, dispon\u00edveis em <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2020\/06\/24\/WEOUpdateJune2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2020\/06\/24\/WEOUpdateJune2020<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Dado do Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o do Banco Central, Junho\/2020 dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/content\/ri\/relatorioinflacao\/202006\/ri202006p.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.bcb.gov.br\/content\/ri\/relatorioinflacao\/202006\/ri202006p.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> Dados dispon\u00edveis em &nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ie.ufrj.br\/images\/IE\/grupos\/GIC\/GIC_IE_NT_ImpactosMacroSetoriaisdaC19noBrasilvfinal22-05-2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.ie.ufrj.br\/images\/IE\/grupos\/GIC\/GIC_IE_NT_ImpactosMacroSetoriaisdaC19noBrasilvfinal22-05-2020.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Ver an\u00e1lise da Nota do Centro de Estudos de Conjuntura e Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www3.eco.unicamp.br\/images\/arquivos\/nota_cecon_coronacrise_natureza_impactos_e_medidas_de_enfrentamento.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www3.eco.unicamp.br\/images\/arquivos\/nota_cecon_coronacrise_natureza_impactos_e_medidas_de_enfrentamento.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O autor<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Paulo Ricardo S. Oliveira<\/strong> \u00e9 Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico (IE-UNICAMP), Professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Campinas (PUC-Campinas) e Economista do Observat\u00f3rio PUC-Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto foi publicado originalmente no <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2020\/08\/26\/impactos-da-pandemia-de-covid-19-sobre-a-economia-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog Sobre Economia<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/elementor\/thumbs\/logo_-onj4s5m6vf0hml07f9yn7c6a77kn5fk3fpbt3dhc00.png\" alt=\"logo_\" title=\"logo_\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os argumentos expressos nos posts deste especial s\u00e3o dos pesquisadores, produzidos a partir de seus campos de pesquisa cient\u00edfica e atua\u00e7\u00e3o profissional e foi revisado por pares da mesma \u00e1rea t\u00e9cnica-cient\u00edfica da Unicamp. N\u00e3o, necessariamente, representam a vis\u00e3o da Unicamp. Essas opini\u00f5es n\u00e3o substituem conselhos m\u00e9dicos.<\/h4>\n\n\n\n<p><a aria-label=\"undefined (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/editorial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><br>editorial<br><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito por Paulo Ricardo S. Oliveira* A chamada \u201csegunda onda\u201d da pandemia de Sars-Cov-2, isto \u00e9, a crise econ\u00f4mica do p\u00f3s-pandemia, tem sido objeto de discuss\u00e3o entre os especialistas. 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