{"id":2500,"date":"2021-05-19T13:29:33","date_gmt":"2021-05-19T16:29:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/?p=2500"},"modified":"2021-05-19T13:29:33","modified_gmt":"2021-05-19T16:29:33","slug":"por-que-antibiotico-nao-cura-virose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2021\/05\/19\/por-que-antibiotico-nao-cura-virose\/","title":{"rendered":"Por que antibi\u00f3tico n\u00e3o cura virose?"},"content":{"rendered":"\n<p>Antibi\u00f3tico n\u00e3o serve para tratar virose. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido algu\u00e9m falar isso. Mas se voc\u00ea n\u00e3o sabe por que isso acontece, hoje voc\u00ea vai entender.<br><br>Mas para isso precisamos introduzir alguns conceitos&#8230; falar sobre os diferentes antimicrobianos &#8211; afinal, voc\u00ea sabe por que falamos tanto sobre antibi\u00f3ticos, mas quase n\u00e3o ouvimos falar nos antif\u00fangicos ou nos antivirais? <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o vem com a gente para termos uma vis\u00e3o bem ampla sobre esses medicamentos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Esse post \u00e9 a unifica\u00e7\u00e3o de 3 fios que fiz no twitter e que chamei de &#8220;O fio dos agentes antimicrobianos&#8221;. Eles podem ser acessados clicando <a href=\"https:\/\/twitter.com\/MeioDeCultura\/status\/1384486292235427840\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AQUI<\/a>.<br>Tamb\u00e9m j\u00e1 comentamos aqui no blog sobre o <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2020\/07\/09\/antibiotico-contra-virus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uso de Azitromicina para o tratamento de Covid<\/a>; e como o uso de antibi\u00f3ticos na covid pode contribuir para acelerar a epidemia das bact\u00e9rias multirresistentes (<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2020\/07\/27\/covid-ram-parte1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">parte 1<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2020\/07\/27\/covid-ram-parte2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">parte 2<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/OS-FIO-DOS-AGENTES-ANTIMICROBIANOS-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3420\" width=\"469\" height=\"263\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os micr\u00f3bios s\u00e3o muito diversos&#8230; e o que a gente chama de <strong>micr\u00f3bio <\/strong>(ou de <strong>microrganismo<\/strong>) varia um pouquinho de acordo com que est\u00e1 falando. Aqui, neste post, a gente est\u00e1 considerando apenas os <strong>v\u00edrus<\/strong>, os <strong>fungos <\/strong>e as <strong>bact\u00e9rias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na figura abaixo temos um comparativo de tamanho entre esses micr\u00f3bios&#8230;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/IMG_0344-1-1024x604.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3392\" width=\"425\" height=\"251\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#575858\">O c\u00edrculo azul no fundo representa uma c\u00e9lula de levedura. <strong>Levedura <\/strong>\u00e9 um <strong>fungo unicelular<\/strong> eucarioto (<em>a gente vai falar sobre isso ali embaixo<\/em>) e possui um tamanho relativamente grande. Depois, seguindo a ordem de tamanho, temos as <strong>c\u00e9lulas bacterianas<\/strong> (temos quatro no desenho, uma esf\u00e9rica cinza e tr\u00eas mais alongadas marrons \u2013 uma maior e duas menores). Veja que as bact\u00e9rias variam no tamanho e na forma! Em seguida, temos os <strong>v\u00edrus<\/strong>, que s\u00e3o ainda menores. Eles est\u00e3o indicados pelos n\u00fameros de 1 a 9 na figura. E o pontinho indicado pelo n\u00famero 10 \u00e9 uma <strong>mol\u00e9cula <\/strong>de hemoglobina, uma prote\u00edna que \u00e9 encontrada nas c\u00e9lulas vermelhas do nosso sangue, e \u00e9 respons\u00e1vel por transportar o oxig\u00eanio no nosso sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentados os microrganimos, temos que introduzir um outro conceito muito importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falamos de agentes antimicrobianos (ou anti-infecciosos) esperamos que eles tenham uma caracter\u00edstica que chamamos de <strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">TOXICIDADE SELETIVA<\/span><\/strong>. Isso significa que o f\u00e1rmaco deve <strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">ser t\u00f3xico para o microrganismo<\/span><\/strong>, mas deve <span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\"><strong>causar o m\u00ednimo de dados ao hospedeiro<\/strong> <\/span>(no caso, a gente mesmo!).<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, temos que buscar medicamentos que atinjam alvos importantes dos microrganismos mas que sejam diferentes dos presentes no hospedeiro. \u00c9 a\u00ed que est\u00e1 o pulo do gato \u2013 e que explica n\u00e3o s\u00f3 a <strong>dificuldade em desenvolver novos f\u00e1rmaco<\/strong>s, mas tamb\u00e9m os <strong>efeitos colaterais<\/strong> causados por esses medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o desses alvos que faz com que os agentes antimicrobianos tenham um <strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">espectro a\u00e7\u00e3o amplo ou curto<\/span><\/strong>. Um <em>espectro de a\u00e7\u00e3o amplo<\/em> significa que o antimicrobiano atinge uma grande variedade de microrganismos, enquanto um <em>espectro de a\u00e7\u00e3o curto<\/em>, nos indica que esse antimicrobiano tem um uso mais restrito, apenas para alguns tipos de microrganismos. \u00c9 isso que esta figura aqui embaixo nos mostra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/IMG_0329-1-e1620322968341-1024x411.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3395\" width=\"503\" height=\"201\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Feitas essas considera\u00e7\u00f5es, vamos come\u00e7ar a falar dos agentes antimicrobianos mais famosos!  S\u00e3o eles: os <strong>ANTIBI\u00d3TICOS<\/strong> ou <strong>ANTIBACTERIANOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/2-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3390\" width=\"470\" height=\"264\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando falamos em c\u00e9lulas bacterianas, achar esses alvos \u00e9 relativamente mais simples, sabe por qu\u00ea? Olha a estrutura geral de uma <strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">c\u00e9lula bacteriana (procari\u00f3tica)<\/span><\/strong> e de uma <strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">c\u00e9lula humana (eucar\u00f3tica)<\/span><\/strong>. Elas s\u00e3o muito diferentes (tanto no tamanho quanto nas estruturas)! \u2013 Ah! Voc\u00ea lembra da primeira figura? <strong>Os fungos s\u00e3o eucariotos assim como n\u00f3s!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De forma bem resumida podemos dizer que os <strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">eucariotos <\/span><\/strong>(c\u00e9lulas animais, vegetais e de fungos e protozo\u00e1rios) possuem o <strong>DNA \u201cguardado\u201d numa regi\u00e3o espec\u00edfica chamada n\u00facleo<\/strong> e que \u00e9 <strong>delimitada por uma membrana<\/strong> e, tamb\u00e9m, tem diversas <strong>organelas complexas tamb\u00e9m membranosas<\/strong>. Os <strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">procariotos <\/span>(bact\u00e9rias) possuem o DNA disperso no citoplasma da c\u00e9lula<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/IMG_0342-1024x759.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3396\" width=\"470\" height=\"347\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Com essas diferen\u00e7as, a diversidade de alvos para os antibacterianos \u00e9 bem extensa. Podemos dividi-los em grandes grupos de acordo com o alvo e seu nodo de a\u00e7\u00e3o. Como podemos ver nessa figura, os <strong>mecanismos de a\u00e7\u00e3o<\/strong> podem ser:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>1. Inibi\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da parede celular bacteriana<\/li><li>2. Inibi\u00e7\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas<\/li><li>3. Inibi\u00e7\u00e3o da multiplica\u00e7\u00e3o do DNA (replica\u00e7\u00e3o) e da forma\u00e7\u00e3o de RNA (transcri\u00e7\u00e3o)<\/li><li>4. Danos \u00e0 membrana plasm\u00e1tica<\/li><li>5. Inibi\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es de vias metab\u00f3licas espec\u00edficas<\/li><\/ul>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/IMG_0335-1024x750.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3397\" width=\"476\" height=\"348\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar de v\u00e1rios desses processos acontecerem tanto nas c\u00e9lulas humanas quanto nas bacterianas, existem diferen\u00e7as significativas entre eles. E s\u00e3o essas diferen\u00e7as que ser\u00e3o usadas como alvo para os antibi\u00f3ticos. &nbsp;E a diversidade deles \u00e9 bem grande!!!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/Slide1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3423\" width=\"576\" height=\"1009\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns desses medicamentos tem alta toxidade e causam danos, por exemplo, no f\u00edgado ou nos rins\u2026 esses <strong>efeitos colaterais<\/strong> s\u00e3o decorrentes, principalmente, da inibi\u00e7\u00e3o da s\u00edntese de prote\u00ednas nas mitoc\u00f4ndrias das c\u00e9lulas humanas. Mitoc\u00f4ndrias s\u00e3o organelas respons\u00e1veis por gerarem energia e disponibiliz\u00e1-la para que as c\u00e9lulas executem suas fun\u00e7\u00f5es. Esses efeitos ocorrem devido ao fato de as <strong>mitoc\u00f4ndrias terem estruturas muito parecidas com as bact\u00e9rias<\/strong> e, assim, elas podem acabar sendo alvos indiretos desses medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>resist\u00eancia a antibacterianos<\/strong> vem se agravando e as estimativas indicam de 700 mil pessoas morrem por ano por complica\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias resistentes. Para 2050, esse n\u00famero deve subir para 10 milh\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p>O uso indiscriminado de antimicrobianos ou seu uso incorreto tem contribu\u00eddo muito para que isso aconte\u00e7a\u2026 e ainda vamos ver os efeitos do uso de antibi\u00f3ticos no tratamento da COVID.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAh, mas eu compro antibi\u00f3tico na farm\u00e1cia perto da minha casa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o compre, n\u00e3o \u00e9 de bom tom, \u00e9 perigoso e \u00e9 <strong>ilegal<\/strong>! Sim, a Anvisa proibiu a venda de antibi\u00f3ticos sem receita desde o final de 2010.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/3-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3403\" width=\"456\" height=\"255\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Agora chegou a vez de falarmos dos <strong>ANTIF\u00daNGICOS<\/strong>. Quando comparamos a diversidade entre esses medicamentos e antibi\u00f3ticos, vemos que h\u00e1 uma diversidade muito menor de f\u00e1rmacos para o tratamento de infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece porque, como j\u00e1 falamos, <strong>a c\u00e9lula f\u00fangica \u00e9 eucari\u00f3tica, assim como a nossa<\/strong>. E, por isso, nossas c\u00e9lulas e as dos fungos compartilham <strong>muitas semelhan\u00e7as gen\u00e9ticas, estruturais (em prote\u00ednas, por exemplo) e em processos celulares e moleculares<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/IMG_0353-1024x462.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3404\" width=\"421\" height=\"189\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o <strong>\u00e9 muito mais dif\u00edcil achar um f\u00e1rmaco que tenha a\u00e7\u00e3o sobre um fungo, mas que n\u00e3o afete as nossas c\u00e9lulas<\/strong>. Por isso, muitos antif\u00fangicos t\u00eam limita\u00e7\u00f5es, como: efeitos colaterais, espectro reduzido e baixa penetra\u00e7\u00e3o em alguns tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a terapia antif\u00fangica tem sido reformulada e novos agentes menos t\u00f3xicos t\u00eam sido desenvolvidos. E a toxicidade implica inclusive na forma de administra\u00e7\u00e3o: uso t\u00f3pico (para os mais t\u00f3xicos) ou sist\u00eamico (toxicidade seletiva).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso tudo, tamb\u00e9m temos que nos preocupar com o desenvolvimento de resist\u00eancia aos antif\u00fangicos. <em>Candida auris<\/em>, por exemplo, \u00e9 um pat\u00f3geno f\u00fangico de grande import\u00e2ncia hospitalar, que \u00e9 de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o e, para piorar, \u00e9 resistente a diferentes classes de antif\u00fangicos! <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2020\/12\/18\/candida-auris\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">J\u00e1 falei sobre isso aqui no blog<\/a>! <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, dentre os alvos para os quais direcionamos a busca de antif\u00fangicos est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>S\u00edntese de prote\u00ednas<\/li><li>S\u00edntese de \u00e1cidos nucleicos<\/li><li>Parede celular<\/li><li>Membrana celular (inibi\u00e7\u00e3o da s\u00edntese ou dano direto)<\/li><li>Inibi\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o celular<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Dois alvos interessantes quando falamos de fungos s\u00e3o a parede celular (porque nossas c\u00e9lulas n\u00e3o a possuem) e a membrana celular (que apesar de tamb\u00e9m termos, na nossa h\u00e1 a presen\u00e7a do colesterol como principal esterol, enquanto nos fungos observa-se maior presen\u00e7a do ergosterol).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/IMG_0331-1024x457.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3405\" width=\"539\" height=\"240\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Acho que deu pra entender um pouquinho do motivo de a diversidade dos antif\u00fangicos n\u00e3o ser muito grande\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Agora vamos falar sobre os antivirais\u2026<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/4-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3406\" width=\"454\" height=\"255\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para falarmos sobre os <strong>ANTIVIRAIS <\/strong>precisamos antes falar um pouquinho sobre os v\u00edrus&#8230; Sabe por qu\u00ea? <\/p>\n\n\n\n<p>Os v\u00edrus possuem uma estrutura muito diferente dos fungos, das bact\u00e9rias, e de n\u00f3s! Pra in\u00edcio de conversa, nem c\u00e9lulas eles t\u00eam (e, por isso mesmos, eles nem s\u00e3o considerados como seres vivos por muitos pesquisadores)! Eles consistem basicamente em material gen\u00e9tico (DNA ou RNA) dentro de uma c\u00e1psula de prote\u00edna (e \u00e0s vezes um envolt\u00f3rio de gordura).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 importante entendermos que, justamente por n\u00e3o possu\u00edrem c\u00e9lulas, <strong>para se multiplicarem os v\u00edrus utilizam da estrutura da c\u00e9lula do seu hospedeiro<\/strong> \u2013 <em>que pode ser uma bact\u00e9ria, um fungo, ou uma c\u00e9lula humana!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras: <\/p>\n\n\n\n<p><strong>A toxicidade seletiva \u00e9 muito dif\u00edcil pois os mecanismos utilizados para a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus s\u00e3o os mecanismos b\u00e1sicos de sobreviv\u00eancia das c\u00e9lulas hospedeiras \u2013 assim, a chance de o f\u00e1rmaco atingir uma fun\u00e7\u00e3o vital da c\u00e9lula \u00e9 bem grande!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por isso temos poucos antivirais e todos com espectro de a\u00e7\u00e3o bem restrito. A consequ\u00eancia \u00e9 que poucas s\u00e3o as doen\u00e7as trat\u00e1veis com esses agentes: Herpes, Catapora, Citomegalovirus, HIV, Gripe, V\u00edrus respirat\u00f3rio sincicial, Hepatite B e C, Adenovirus, Papilomavirus.<\/p>\n\n\n\n<p>Os antivirais t\u00eam, geralmente,&nbsp;como alvo as enzimas codificadas pelos v\u00edrus e que s\u00e3o importantes para sua multiplica\u00e7\u00e3o ou que atuam na ativa\u00e7\u00e3o da resposta imune do hospedeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Poss\u00edveis alvos para a\u00e7\u00e3o dos antivirais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Inibi\u00e7\u00e3o da liga\u00e7\u00e3o ou da penetra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus na c\u00e9lula hospedeira<\/li><li>Inibi\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o, replica\u00e7\u00e3o ou s\u00edntese de material gen\u00e9tico<\/li><li>Inibi\u00e7\u00e3o da transcri\u00e7\u00e3o reversa do RNA (etapa importante do ciclo do HIV)<\/li><li>Inibi\u00e7\u00e3o da s\u00edntese de prote\u00ednas<\/li><li>Inibi\u00e7\u00e3o da montagem dos novos v\u00edrus<\/li><li>Inibi\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus pelo hospedeiro<\/li><\/ul>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/IMG_0343-1024x733.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3407\" width=\"412\" height=\"295\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/Slide2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3421\" width=\"549\" height=\"362\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia aos antivirais tamb\u00e9m \u00e9 um problema devido \u00e0s altas taxas de muta\u00e7\u00e3o viral (principalmente dos v\u00edrus de RNA) e aos tratamentos de longa dura\u00e7\u00e3o em pacientes com infec\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, como os imunocomprometidos (p.ex. com HIV+).<\/p>\n\n\n\n<p>FINALIZANDO&#8230; &nbsp;(Ou, por que antibi\u00f3tico n\u00e3o serve para tratar virose?)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/OS-FIO-DOS-AGENTES-ANTIMICROBIANOS-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3430\" width=\"453\" height=\"255\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Acho que nesse post conseguimos fazer um caminho longo, mas que deixa claro por que um antibacteriano n\u00e3o serve para tratar uma virose\u2026 <\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja: bact\u00e9rias e v\u00edrus s\u00e3o microrganismos com uma biologia muito diferente entre si &#8211; essas diferen\u00e7as s\u00e3o estruturais, moleculares, bioqu\u00edmicas, na forma como infectam seus hospedeiros, dentre outras tantas que falamos ali em cima&#8230; Como os medicamentos utilizados para combater esses microrganismos atingem justamente esses diferentes alvos, os antibacterianos n\u00e3o s\u00e3o eficazes contra v\u00edrus. <\/p>\n\n\n\n<p>Ou, de forma simples e resumida: <strong>s\u00e3o microrganismos diferentes e os medicamentos para combat\u00ea-los tamb\u00e9m possuem alvos muito diferentes!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de terminar, s\u00f3 uma palavrinha sobre resist\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>O uso de antimicrobianos, por si s\u00f3, contribui para o aumento da resist\u00eancia. Seu uso indiscriminado, bem como seu uso incorreto (dosagem ou tempo diferentes do recomendado) podem contribuir para o agravamento desenvolvimento da resist\u00eancia entre os microrganismos. Isso \u00e9 muito s\u00e9rio, mas \u00e9 um assunto longo e vai ficar para um pr\u00f3ximo post!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2015\/10\/31\/happy-halloween-ou-melhor-seria-feliz-dia-do-saci\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/05\/halloween-683x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3410\" width=\"274\" height=\"410\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Nota do Editorial COVID-19<\/h3>\n\n\n\n<p>E qual a raz\u00e3o deste post estar no Especial COVID-19? Sabemos que existe uma grande busca por medicamentos que curem a doen\u00e7a e eliminem o v\u00edrus do nosso organismo. Tamb\u00e9m sabemos que existem antibi\u00f3ticos que t\u00eam sido usados, que existe toda uma &#8220;ansiedade&#8221;, expectativa e espera por novidades. Neste sentido, \u00e9 fundamental uma discuss\u00e3o que consideramos &#8220;de base&#8221; tanto do funcionamento da ci\u00eancia, quanto dos motivos pelos quais n\u00e3o usamos medicamentos de qualquer modo, para sanar mais uma expectativa de cura, do que uma realidade estabelecida que gerar\u00e1 resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Este post tem esta ideia: nos mostrar alguns caminhos para compreendermos melhor o funcionamento do medicamentos! E em tempos de COVID-19, \u00e9 importante estas rela\u00e7\u00f5es bem delineadas!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">Refer\u00eancias:<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Madigan et al. (2016). Microbiologia de Brock \u2013 14 ed.<\/li><li>Murray et al. (2021). Medical Microbiology \u2013 9 ed.<\/li><li>Riedel et al. (2019). Jawetz\u2019s Medical Microbiology &#8211; 28 ed.<\/li><li>Tortora et al. (2017). Microbiologia \u2013 12 ed.<\/li><li>Trabulsi &amp; Alterthum. (2015). Microbiologia \u2013 6ed.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n<p>Este texto foi escrito originalmente para o blog <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2021\/04\/30\/para-alem-das-vacinas-a-dependencia-tecnologica-e-financeira-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Meio de Cultura<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/elementor\/thumbs\/logo_-onj4s5m6vf0hml07f9yn7c6a77kn5fk3fpbt3dhc00.png\" alt=\"logo_\" title=\"logo_\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os argumentos expressos nos posts deste especial s\u00e3o dos pesquisadores. Dessa forma, os textos foram produzidos a partir de campos de pesquisa cient\u00edfica e atua\u00e7\u00e3o profissional dos pesquisadores e foi revisado por pares da mesma \u00e1rea t\u00e9cnica-cient\u00edfica da Unicamp. Assim, n\u00e3o, necessariamente, representam a vis\u00e3o da Unicamp e essas opini\u00f5es n\u00e3o substituem conselhos m\u00e9dicos.<\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/editorial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><br>editorial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antibi\u00f3tico n\u00e3o serve para tratar virose. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido algu\u00e9m falar isso. Mas se voc\u00ea n\u00e3o sabe por que isso acontece, hoje voc\u00ea vai entender. Mas para isso precisamos introduzir alguns conceitos&#8230; falar sobre os diferentes antimicrobianos &#8211; afinal, voc\u00ea sabe por que falamos tanto sobre antibi\u00f3ticos, mas quase n\u00e3o ouvimos falar nos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2501,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[59,93],"tags":[163,164,173,174,178,479,536,551,791,850,993,1040,1179],"class_list":["post-2500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-covid","category-tratamento-covid-19","tag-antibacteriano","tag-antibiotico","tag-antifungico","tag-antimicrobiano","tag-antiviral","tag-efeitos-colaterais","tag-espectro-de-acao","tag-eucarioto","tag-mecanismo-de-acao","tag-multirresistencia","tag-procarioto","tag-resistencia","tag-toxicidade-seletiva"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Por que antibi\u00f3tico n\u00e3o cura virose? 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