{"id":2616,"date":"2021-07-16T14:22:35","date_gmt":"2021-07-16T17:22:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/?p=2616"},"modified":"2021-07-16T14:22:35","modified_gmt":"2021-07-16T17:22:35","slug":"nosso-normal-variantes-festas-e-aumentos-de-casos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2021\/07\/16\/nosso-normal-variantes-festas-e-aumentos-de-casos\/","title":{"rendered":"Nosso normal: variantes, festas e aumentos de casos"},"content":{"rendered":"\n<p>Talvez voc\u00eas tenham visto a not\u00edcia de um evento na Holanda, com 20 mil pessoas, \u201ctodos os protocolos\u201d e resultou em, pelo menos, 1000 casos confirmados para COVID-19. Ao me deparar com esta manchete, fui ver alguns dados: como est\u00e1 a vacina\u00e7\u00e3o na Holanda, casos di\u00e1rios, entre outras coisinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra pergunta que me fiz foi: ser\u00e1 que nunca mais poderemos fazer festivais ou grandes aglomera\u00e7\u00f5es, mesmo vacinados? E com a vacina\u00e7\u00e3o andando aqui no Brasil, estaremos finalmente a salvo? (a vacina n\u00e3o era, afinal, a solu\u00e7\u00e3o que todos os divulgadores da ci\u00eancia e cientistas nos venderam?).<\/p>\n\n\n\n<p>[<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/649fwJV3XdRbvpDN2DYV5d?si=7259301575204186\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pausa para recomenda\u00e7\u00e3o de leitura com trilha sonora<\/a>]<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muitas perguntas\u2026 Sem embroma\u00e7\u00e3o, vamos a alguns dados.<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>O que podemos falar sobre a Holanda, neste momento da pandemia?<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>cerca de 17 milh\u00f5es de habitantes;<\/li><li>874 testes por milh\u00e3o de habitantes;<\/li><li>1.766.102 de casos totais;<\/li><li>1.035 mortes por milh\u00e3o de habitantes;<\/li><li>17.773 mortes totais;<\/li><li>67,38% da popula\u00e7\u00e3o tomou pelo menos 1 dose de vacina;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/2021\/07\/Captura-de-tela-de-2021-07-15-15-10-29-1-1024x697.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2622\" \/><figcaption>Pessoas vacinadas com 1 dose, por pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/covid-vaccinations\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Our World in Data<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com base nestes dados, temos que 0,1% da popula\u00e7\u00e3o faleceu por COVID-19 e 10% da popula\u00e7\u00e3o contraiu COVID-19 ao longo de 2020 e 2021. S\u00f3 a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, no Brasil temos 9% da popula\u00e7\u00e3o infectada e 0,25% de \u00f3bitos (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds). Isto levando-se em considera\u00e7\u00e3o que temos 253 mil teste por milh\u00e3o de habitantes (pr\u00f3ximo de 35% do que a Holanda faz de testes em sua popula\u00e7\u00e3o). Ou seja, temos dados bem mais complicados que estes e os testes e rastreios seguem sem serem feitos em nosso pa\u00eds, de forma adequada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O festival e as medidas de prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/WUU97PIQ4DXlnvvNcRyTtt0v0I7zhOVjHVhJuvaHNgN0xwgIumS2M66ATWqiTptxNFifjHODrL1J3PDvZU4_tvpIDKPg69ighNCVD7kP9w9i-tENe8JxvTZMS-xnCXA3-2AM663F\" alt=\"\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A Holanda, desde 26 de junho (20 dias atr\u00e1s, portanto) aboliu grande parte das medidas de prote\u00e7\u00e3o contra o coronav\u00edrus e isto envolvia grandes eventos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 27 de junho foi o dia com menor quantidade de casos, desde meados de setembro de 2020 &#8211; registraram 499 casos no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, dez dias depois da abertura, no dia 6 de julho, foram 2.209 casos registrados. Por fim, em 10 de julho, 10.299 casos novos de COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/2021\/07\/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Divulgacao-Cientifica.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2623\" \/><figcaption>Dados compilados por SCHRARSTZHAUPT, Isaac e BRAGATTE, Marcelo. Painel Casos, \u00f3bitos e taxa de crescimento. Rede An\u00e1lise Covid-19\/Serrapilheira. Acessado em 16\/07\/2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/bit.ly\/Rede_CasosObitosTaxa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/bit.ly\/Rede_CasosObitosTaxa<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>20 mil pessoas participaram do festival noticiado e somente pessoas vacinadas ou com o teste negativo poderiam entrar no local. Ele era em local aberto e aconteceu nos dias 3 e 4 de julho. J\u00e1 t\u00ednhamos cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o holandesa vacinada com 2 doses. O que poderia ter dado errado, afinal?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bom apontar, antes de seguirmos no texto, que todas as vacinas t\u00eam indicado que a contamina\u00e7\u00e3o, mesmo com duas doses, \u00e9 poss\u00edvel de ocorrer e h\u00e1 (nestes casos) uma diminui\u00e7\u00e3o da gravidade da doen\u00e7a. Isto \u00e9 fundamental termos em mente: a vacina\u00e7\u00e3o protege em massa, \u00e9 segura e \u00e9 eficiente. Mas sempre corremos o risco de nos contaminarmos (em qualquer vacina da hist\u00f3ria, isto n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade destas vacinas de COVID-19).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobre os testes de detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus SARS-CoV-2<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que seja recente este tipo de discuss\u00e3o, mas sempre \u00e9 bom retomar. Cada vez que um evento como este ocorre, parece que temos que voltar l\u00e1 para as primeiras postagens, textos e discuss\u00f5es que faz\u00edamos em 2020 (parece t\u00e3o long\u00ednquo, por\u00e9m necess\u00e1rio!).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Voltemos ent\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Entre a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus (o dia que nos infectamos) e o momento em que conseguimos detectar a infec\u00e7\u00e3o em testes de PCR (que detectam material gen\u00e9tico de v\u00edrus) ou testes de ant\u00edgeno (que detectam prote\u00ednas do v\u00edrus) existe um tempo em que n\u00e3o conseguimos averiguar exatamente se estamos ou n\u00e3o contaminados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, para as linhagens de SARS-CoV-2 no in\u00edcio da pandemia, fal\u00e1vamos de um intervalo entre 5 a 7 dias para detectar o v\u00edrus, com teste de PCR (para testes de ant\u00edgeno falamos deste mesmo intervalo mais ou menos).<\/p>\n\n\n\n<p>A Mellanie Fontes-Dutra lan\u00e7ou ontem um fio explicando que para a <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/variantes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">variante<\/a> Delta este tempo pode cair para 4 dias, em fun\u00e7\u00e3o da alta carga viral desta variante\u2026 <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mellziland\/status\/1415836462059343880\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recomendo fortemente a leitura<\/a>!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao passo que a Delta \u00e9 detectada mais cedo que as variantes anteriores ou a cepa original, ela tamb\u00e9m \u00e9 mais transmiss\u00edvel. H\u00e1 tr\u00eas dias atr\u00e1s o diretor geral da OMS afirmou que a Delta est\u00e1 presente em 104 pa\u00edses e se tornar\u00e1 a variante predominante em breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta onda de cont\u00e1gios na Holanda &#8211; assim como em outros pa\u00edses cuja vacina\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais avan\u00e7ada e a pandemia parecia controlada &#8211; \u00e9, ao que tudo indica, consequ\u00eancia desta variante.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, voltando aos testes, uma quest\u00e3o fundamental aqui \u00e9 relembrarmos algo fundamental: existe um intervalo de tempo sem sintomas e com muita transmiss\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da variante Delta, que causa uma carga viral t\u00e3o alta a ponto da detec\u00e7\u00e3o acontecer no 4\u00ba dia ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o, a transmiss\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo de forma intensa. Dessa forma, repito: sem sintomas aparentes (ou discretos demais para nos protegermos e isolarmos).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"has-text-align-center has-accent-background-color has-background wp-block-heading\">O que eu gostaria de frisar sobre testes \u00e9: o teste \u00e9 um retrato do passado (entre 4-9 dias do cont\u00e1gio).<\/h3>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9 importante pois temos falado o tempo inteiro sobre testes e rastreios desde o in\u00edcio da pandemia. E talvez neste momento algu\u00e9m possa perguntar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background-color-background-color has-background\"><strong>&#8211; Mas Ana<\/strong>, <strong>se \u00e9 um retrato do passado, o que adianta fazer testes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ora\u2026 \u00e9 fundamental para conseguirmos isolar pessoas, comunicar a possibilidade de cont\u00e1gio para quem tivemos contato e isolar estas pessoas tamb\u00e9m (e poss\u00edveis contatos destas pessoas neste meio tempo).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em casos em que pessoas t\u00eam se exposto no ambiente de trabalho, por exemplo, os testes frequentes permitem ir acompanhando e conseguem minimizar o impacto de uma infec\u00e7\u00e3o em todo um grupo que atua junto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Teste e rastreio s\u00e3o uma das medidas mais importantes de controle, pois sua const\u00e2ncia permite <strong>monitorar<\/strong> a situa\u00e7\u00e3o de um grupo de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem come\u00e7arei a falar aqui das medidas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas como <em>m\u00e1scaras, distanciamento e evitar espa\u00e7os fechados e sem ventila\u00e7\u00e3o<\/em>, afinal todos sabemos que elas s\u00e3o super eficientes para diminuirmos a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O festival, as vacinas e os intervalos dos resultados negativos<\/h3>\n\n\n\n<p>Retomando: pois \u00e9. Aglomerar com medidas de seguran\u00e7a n\u00e3o funcionou. Quem poderia prever que \u201ctodos os protocolos\u201d n\u00e3o funcionariam? 5% das pessoas do festival positivaram. Isto nos mostra que este \u201colhar para o passado\u201d que os testes nos proporcionam n\u00e3o nos assegura de muitas coisas &#8211; a n\u00e3o ser quando feito de maneira frequente e com rastreios constantes. Sem o monitoramento frequente atrav\u00e9s dos exames, vacina\u00e7\u00e3o completa e em massa popula\u00e7\u00e3o e os protocolos de preven\u00e7\u00e3o seguidos \u00e0 risca (m\u00e1scara, distanciamento, espa\u00e7os ventilados, sem aglomera\u00e7\u00e3o) n\u00e3o h\u00e1 garantias de n\u00e3o infec\u00e7\u00e3o, principalmente com o surgimento de novas variantes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s temos visto as discuss\u00f5es acerca da variante Delta, sua transmissibilidade \u00e9 alt\u00edssima, j\u00e1 falei isso anteriormente. Todavia, embora ela n\u00e3o escape da imuniza\u00e7\u00e3o das vacinas atuais, ao que tudo indica \u00e9 fundamental termos as duas doses aplicadas. Mas retomemos os dados: 63,38% de pessoas com uma dose aplicada, 40% das pessoas t\u00eam as duas doses.<\/p>\n\n\n\n<p>E os casos na Holanda? Subindo &#8211; como o primeiro gr\u00e1fico deste texto nos mostrou.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 quando? At\u00e9 quando seguiremos dando estas oportunidades repetidas \u00e0s variantes, exercendo press\u00e3o seletiva sobre as variantes e possibilitando mais e mais infec\u00e7\u00f5es por uma suposta volta \u00e0 normalidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Estes passaportes imagin\u00e1rios para adentrar em mundos seguros e livres de Covid precisam de muito mais estrutura, mudan\u00e7as de comportamentos e, principalmente, levar a s\u00e9rio a no\u00e7\u00e3o de que nosso mundo mudou.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos nos perguntado sobre o \u201cnovo normal\u201d h\u00e1 16 meses. Tamb\u00e9m perguntamos sobre quando voltaremos ao nosso normal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center has-background-color-color has-text-color has-background has-large-font-size wp-block-heading\" style=\"background-color:#004866\">O que \u00e9 normal?<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 um mundo que segue acreditando que a \u00fanica possibilidade de felicidade, extravasar energia, viver bem \u00e9 juntando-se com 20 mil desconhecidos. Tanto quanto um mundo com gente que frequenta restaurantes caros. Isto tudo dividindo o espa\u00e7o com profissionais nos servindo ganhando pouco mais do que o suficiente para sobreviver. Al\u00e9m disso, claro, estas pessoas n\u00e3o tem outra alternativa a n\u00e3o ser aglomerar em metr\u00f4s e \u00f4nibus lotados para chegar ao nosso espa\u00e7o de lazer. Nosso normal tem quase 8 bilh\u00f5es de pessoas, com grande parte da popula\u00e7\u00e3o passando fome e sem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sa\u00fade. Isto em um mesmo lugar que alcan\u00e7amos vacinas em menos de um ano contra uma doen\u00e7a avassaladora.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estamos em um mundo que passa fome e explora o espa\u00e7o defendendo sua democratiza\u00e7\u00e3o para quem pode pagar fortunas dif\u00edceis de caber em ideias mundanas.<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Simultaneamente, nosso normal segue pensando um mundo que os protocolos de um pa\u00eds o isolaria dos demais que n\u00e3o est\u00e3o seguindo os protocolos. Enquanto isso, as variantes circulam, aumentam, e a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 quando poderemos, afinal, voltar ao normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso estejas no Brasil (como grande parte dos que leem o Blogs da Unicamp est\u00e3o), vivemos como se nossos escassos vacinados possam segurar variantes que chegam em campeonatos impensados ou em f\u00e9rias que n\u00e3o podiam ser reagendadas. Talvez os vacinados segurem estat\u00edsticas que n\u00e3o cessam de emergir e pol\u00edticos que ignoram o que este v\u00edrus t\u00eam nos mostrado de maneira did\u00e1tica:<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Doen\u00e7as s\u00e3o sociais, mesmo quando s\u00e3o um conjunto de sintomas fisiol\u00f3gicos causados por um agente viral.<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma doen\u00e7a como a COVID-19 nos esfrega na face, diariamente, que nosso normal n\u00e3o era aceit\u00e1vel e n\u00e3o sabemos o que fazer, frente \u00e0 urg\u00eancia de mudarmos &#8211; como indiv\u00edduos, sujeitos, coletivos, popula\u00e7\u00f5es, humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, podemos olhar dados passados e constatar que antes da pandemia, os metr\u00f4s paulistanos transportavam cerca de 200 milh\u00f5es de pessoas por m\u00eas. Isto \u00e9, o equivalente a um pa\u00eds inteiro como o Brasil circulava em linhas de uma das maiores metr\u00f3poles do mundo. Como estamos neste momento? Cerca de 96 milh\u00f5es de pessoas mensalmente. A pandemia diminuiu a mobilidade nos metr\u00f4s para pouco menos da metade, ainda assim, \u00e9 como se fosse Vietn\u00e3 inteiro andando de metr\u00f4 mensalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, me pergunto: o centro de S\u00e3o Paulo representam quantos festivais de Amsterd\u00e3 diariamente? De pessoas sem vacinas suficientes, nem testes poss\u00edveis, o que dir\u00e1 rastreios de nossas mazelas?<\/p>\n\n\n\n<p>O nosso normal nos trouxe ao descaso com vidas e desapre\u00e7o pelas possibilidades de a ci\u00eancia ser exercida com empatia para todos e por todos (no Brasil e no mundo).<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Pensando sobre Humanidade em tempos de pandemia<\/h5>\n\n\n\n<p>Krenak diz que \u201cnosso tempo \u00e9 especialista em criar aus\u00eancias: do sentido de viver em sociedade, do pr\u00f3prio sentido da experi\u00eancia da vida\u201d (p.26). Esta passagem (o livro todo) nos prop\u00f5e a pensarmos em <em>Ideias para adiarmos o fim do mundo <\/em>que se vinculam a novos conceitos de humanidade para podermos viver. Uma humanidade que se pense n\u00e3o como produto para consumo, n\u00e3o como objeto para trocas, n\u00e3o como idealiza\u00e7\u00f5es que culminam em mortes em massa. \u00c9 preciso repensar o que nos trouxe at\u00e9 aqui, antes de querermos voltar ao que, supostamente, existia antes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAssim como n\u00f3s estamos hoje vivendo o desastre do nosso tempo ao qual algumas seletas pessoas chamam de Antropoceno. A grande maioria est\u00e1 chamando de caos social, desgoverno geral, perda de qualidade no cotidiano, nas rela\u00e7\u00f5es, e estamos todos jogados neste abismo\u201d (p.72)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em suma, pergunto: queres voltar ao nosso normal?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center has-background-color-color has-text-color has-background wp-block-heading\" style=\"background-color:#610002;font-size:clamp(24.526px, 1.533rem + ((1vw - 3.2px) * 1.615), 41px);px\">Nosso normal nos trouxe at\u00e9 aqui.&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Para saber mais<\/h3>\n\n\n\n<p>DW (2021) <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/quase-mil-pessoas-se-infectam-em-festival-de-m%C3%BAsica-na-holanda\/a-58264185\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quase mil pessoas se infectam em festival de m\u00fasica na Holanda<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/premi%C3%AA-da-holanda-se-desculpa-por-relaxar-medidas-anticovid\/a-58254116\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Premi\u00ea da Holanda se desculpa por relaxar medidas anticovid<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>El Pais (2021) <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2021-07-03\/variante-delta-chega-a-america-latina-o-que-sabemos-dela.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A variante delta do coronav\u00edrus, mais contagiosa, se espalha por pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Dados mundiais sobre vacina\u00e7\u00e3o, testes, casos e \u00f3bitos: <a href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/coronavirus\/#countries\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Worldometer Coronav\u00edrus<\/a>, <a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/covid-vaccinations\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Our World in Data<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Krenak, Ailton (2020) <strong>Ideias para adiar o fim do mundo<\/strong>, S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Textos do Blogs sobre o tema:<\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/solidariedade-saude-para-todos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solidariedade: sa\u00fade para todos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/sobre-o-periodo-de-incubacao-da-doenca-e-suas-relacoes-com-a-quarentena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sobre o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e suas rela\u00e7\u00f5es com a quarentena\u2026<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/passaporte-nacional-de-imunizacao-e-seguranca-sanitaria-faz-sentido-isso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Passaporte Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a Sanit\u00e1ria \u2013 Faz sentido isso?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Este texto \u00e9 original e foi produzido com exclusividade para o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Especial COVID-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Agradecimento especial ao Isaac Schrarstzhaupt que debateu sobre os dados e ajudou a organiz\u00e1-los para este post, Erica Mariosa, Carolina Frandsen e Graciele Oliveira que revisaram o texto, e minha m\u00e3e, que falou &#8220;nosso normal nos trouxe at\u00e9 aqui&#8221; (obrigada por tudo sempre, inclusive).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/elementor\/thumbs\/logo_-onj4s5m6vf0hml07f9yn7c6a77kn5fk3fpbt3dhc00.png\" alt=\"logo_\" title=\"logo_\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os argumentos expressos nos posts deste especial s\u00e3o dos pesquisadores. Dessa forma, os textos foram produzidos a partir de campos de pesquisa cient\u00edfica e atua\u00e7\u00e3o profissional dos pesquisadores e foi revisado por pares da mesma \u00e1rea t\u00e9cnica-cient\u00edfica da Unicamp. Assim, n\u00e3o, necessariamente, representam a vis\u00e3o da Unicamp e essas opini\u00f5es n\u00e3o substituem conselhos m\u00e9dicos.<\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/editorial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><br>editorial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez voc\u00eas tenham visto a not\u00edcia de um evento na Holanda, com 20 mil pessoas, \u201ctodos os protocolos\u201d e resultou em, pelo menos, 1000 casos confirmados para COVID-19. Ao me deparar com esta manchete, fui ver alguns dados: como est\u00e1 a vacina\u00e7\u00e3o na Holanda, casos di\u00e1rios, entre outras coisinhas. 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