{"id":308,"date":"2018-09-23T21:06:26","date_gmt":"2018-09-24T00:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/"},"modified":"2018-09-23T21:06:26","modified_gmt":"2018-09-24T00:06:26","slug":"sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/","title":{"rendered":"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right eplus-wrapper\"><em><mark class=\"has-inline-color has-pale-cyan-blue-color\">Texto por <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/equipe\/\">Vilmar Debona<\/a><\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em uma cr\u00f4nica de 1 de setembro de 2016, o escritor ga\u00facho Luis Fernando Ver\u00edssimo afirmava:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cDilma recorreu \u00e0 met\u00e1fora de uma frondosa \u00e1rvore, representando a democracia, para comparar golpe parlamentar e golpe militar. No militar, a \u00e1rvore \u00e9 destru\u00edda a machadadas. No parlamentar, \u00e9 <em>atacada por fungos<\/em>, parasitas e erva de passarinho e tamb\u00e9m morre, mas lentamente. A met\u00e1fora parece simples (s\u00f3 faltando <em>definir<\/em>, no cen\u00e1rio nacional, <em>quem \u00e9 fungo<\/em>, parasitae erva de passarinho)\u201d<sup><a href=\"#sdendnote1sym\" id=\"sdendnote1anc\">i<\/a><\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Gostaria de propor como uma das poss\u00edveis respostas para a defini\u00e7\u00e3o que Ver\u00edssimo observa estar faltando a distin\u00e7\u00e3o elaborada por Jess\u00e9 Souza entre o que chama de <em>corrup\u00e7\u00e3o dos tolos<\/em> e de <em>corrup\u00e7\u00e3o real<\/em>, uma oportunidade para \u201cdarmos nome aos fungos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A microbiologia nos permite saber da diversidade de fungos, um reino de organismos \u00e0 parte na natureza. Todos s\u00e3o heter\u00f3trofos, n\u00e3o produzem seus pr\u00f3prios alimentos. Sua nutri\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por absor\u00e7\u00e3o e, em quase todos os casos, n\u00e3o possuem ra\u00edzes. \u00c9 certo que h\u00e1 os fungos que fazem o p\u00e3o crescer e o vinho fermentar, bem como os fungos dos bons cogumelos champignons. Mas certamente n\u00e3o foi a estes tipos que Dilma se referiu. Pois h\u00e1 aqueles fungos que se formam em mat\u00e9rias j\u00e1 mortas e, em conjunto com uma variedade de bact\u00e9rias, possibilitam a decomposi\u00e7\u00e3o dessas mat\u00e9rias. E, principalmente, h\u00e1 os fungos parasitas, que atacam seres vivos, provocam micoses, frieiras, excresc\u00eancia carnosa, infec\u00e7\u00f5es e, nos vegetais, fitomicoses como a ferrugem, os espor\u00f5es e o apodrecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Se formos ao G\u00eanesis b\u00edblico notaremos uma personagem bastante esquiva: a serpente, que instiga o rompimento da perfei\u00e7\u00e3o divina e que, logo que sai de cena, \u00e9 culturalmente demonizada&#8230; mas, se notarmos bem, perceberemos que ela n\u00e3o \u00e9 filha de nenhuma for\u00e7a das trevas ou demon\u00edaca, sen\u00e3o do pr\u00f3prio Deus. O \u00edmpeto em dire\u00e7\u00e3o ao rompimento da proibi\u00e7\u00e3o em comer da \u201c\u00e1rvore do conhecimento\u201d n\u00e3o \u00e9 provocado por algo <em>externo<\/em> \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o. Ao considerarmos esse \u00edmpeto ou impulso em corromper a ordem, em ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, poder\u00edamos ficar \u00e0 vontade com a etimologia de Agostinho de Hipona (o mesmo fil\u00f3sofo que, ali\u00e1s, cunhou o termo <em>pecado<\/em>): <em>corrup\u00e7\u00e3o<\/em>, de <em>corruptione<\/em><sup><em><a href=\"#sdendnote2sym\" id=\"sdendnote2anc\">ii<\/a><\/em><\/sup>, de corromper, composto por <em>cor<\/em> (cora\u00e7\u00e3o) e por <em>ruptus<\/em> (quebra, rompimento), literalmente, cora\u00e7\u00e3o rompido, deteriorado, pervertido. Se todos temos cora\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o apenas uma boa dose de hipocrisia seria capaz de manter algu\u00e9m convicto de que existem \u201ccidad\u00e3os de bem\u201d capazes de atravessar toda uma vida sem nunca e de nenhuma forma transgredirem ou corromperem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Seres incorrupt\u00edveis, no entanto, s\u00e3o personagens f\u00e9rteis no imagin\u00e1rio seletivo dos inveterados apoiadores da Lava Jato. A percep\u00e7\u00e3o falsa n\u00e3o \u00e9 falsa em rela\u00e7\u00e3o a Agostinho, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de que, ao menos no Brasil, corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 somente da pol\u00edtica e nunca do mercado, sempre do Estado e nunca das elites econ\u00f4micas e do capital financeiro &#8211; ou, como formulou Max Horkheimer no contexto de suas teses sobre a raz\u00e3o instrumental, nunca das \u201cfor\u00e7as econ\u00f4micas cegas <em>ou<\/em> demasiadamente conscientes\u201d<sup><a href=\"#sdendnote3sym\" id=\"sdendnote3anc\">iii<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\"><figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/09\/13\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/elite-do-trasso-2\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/09\/elite-do-trasso-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1533\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em seu <em>A elite do atraso: da escravid\u00e3o \u00e0 Lava Jato<\/em>, Jess\u00e9 Souza chama de corrup\u00e7\u00e3o <em>real<\/em> aquela do Brasil escravocrata, \u201csemente de toda a sociabilidade brasileira\u201d<sup><a href=\"#sdendnote4sym\" id=\"sdendnote4anc\">iv<\/a><\/sup>, que cria singularidades necessariamente excludentes e perversas. Seria a corrup\u00e7\u00e3o do que ele denomina elite da rapina e do dinheiro, uma elite (do atraso), que se perpetua principalmente sob o comando financeiro e midi\u00e1tico, com a\u00e7\u00f5es predadoras que fazem o jogo do capital financeiro internacional e que, com o termo \u201cprivatizar\u201d, atribui um nome polido para o que, na realidade, \u00e9 uma patranha e atende por corromper e saquear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">T\u00edpicos dessa <em>corrup\u00e7\u00e3o real <\/em>&#8211; que, principalmente no caso da m\u00eddia <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Oligop%C3%B3lio\">oligopolista<\/a>, oculta-se de forma magistral a fim de ter mais poder real &#8211; s\u00e3o a manipula\u00e7\u00e3o e o convencimento que aplicam com p\u00edlulas di\u00e1rias sobre a opini\u00e3o p\u00fablica. O Estado e a pol\u00edtica s\u00e3o, nessa s\u00f3rdida manipula\u00e7\u00e3o, as \u00fanicas esferas corruptas, caminho que facilita o repasse de empresas estatais e de riquezas nacionais para nacionais e estrangeiros, que transformam em posse privada os colossos que deveriam ser de todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Os complexos mecanismos mobilizados por grupos econ\u00f4micos para levar multid\u00f5es \u00e0s ruas do pa\u00eds, reuni\u00f5es-espet\u00e1culos manipuladas e transmitidas ao vivo pela m\u00eddia corporativa, para, assim, \u201cjustificar\u201d as manobras jur\u00eddicas das \u201cpedaladas\u201d do Golpe contra Dilma Rousseff, foi um dos mais evidentes atestados da tese de Souza. E se algu\u00e9m perguntasse em que termos \u00e9 isso corrup\u00e7\u00e3o, a resposta viria f\u00e1cil: em um dos sentidos mais convencionais do termo, o de enganar para obter vantagens il\u00edcitas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">J\u00e1 a corrup\u00e7\u00e3o dos tolos seria a da cren\u00e7a originada ante a miragem provocada pelo espantalho da ideia segundo a qual o Estado \u00e9 o \u00fanico corrupto. \u00c9 o que corruptos e corruptores reais ventilam diariamente para nenhum brasileiro duvidar de que os pol\u00edticos e o Estado s\u00e3o os causadores de todas as tramoias, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. O imbecil perfeito, diz Jess\u00e9, \u00e9 forjado quando o cidad\u00e3o espoliado passa a apoiar a venda subfaturada de recursos p\u00fablicos a agentes privados, imaginando que assim ajuda a evitar a corrup\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cComo se a maior corrup\u00e7\u00e3o [&#8230;] n\u00e3o fosse precisamente permitir que uma meia d\u00fazia de super-ricos ponha no bolso a riqueza de todos, deixando o resto na mis\u00e9ria. Essa foi a hist\u00f3ria da Vale, que paga <em>royalties<\/em> rid\u00edculos para se apropriar da riqueza que deveria ser de todos, e essa ser\u00e1 provavelmente a hist\u00f3ria da Petrobras\u201d<sup><a href=\"#sdendnote5sym\" id=\"sdendnote5anc\">v<\/a><\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao final do livro, o soci\u00f3logo voltar\u00e1 \u00e0 quest\u00e3o, tomando-a, desta vez, metaforicamente:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA pol\u00edtica e os pol\u00edticos s\u00e3o os avi\u00f5ezinhos que sujam as m\u00e3os, se exp\u00f5em \u00e0 pol\u00edcia seletiva e ficam com as sobras da expropria\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. A boca de fumo s\u00e3o os oligop\u00f3lios e os atravessadores financeiros, que compram a pol\u00edtica, a justi\u00e7a e a imprensa de tal modo a assaltar legalmente a popula\u00e7\u00e3o\u201d<sup><a href=\"#sdendnote6sym\" id=\"sdendnote6anc\">vi<\/a><\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile eplus-wrapper\" style=\"grid-template-columns:30% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/wp-content\/uploads\/sites\/281\/2018\/09\/91QMplG9WzL-659x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-523 size-large\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">Eis, ent\u00e3o, o pano de fundo, tomado gen\u00e9rica e confusamente como a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o no Brasil: a corrup\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica generalizada e creditada ao \u201cjeitinho brasileiro\u201d, interpreta\u00e7\u00e3o de Roberto DaMatta para <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Homem_cordial\">o \u201chomem cordial\u201d de S\u00e9rgio Buarque de Holanda.<\/a> A tese tornou-se um dep\u00f3sito de culpas, admiss\u00e3o de que <em>todo um povo<\/em> \u00e9 ou tende a ser nacionalmente corrupto, um pseudo fundamento antropol\u00f3gico-moral criado e metodicamente orquestrado para maquiar a corrup\u00e7\u00e3o real das&nbsp;elites olig\u00e1rquicas. A\u00ed est\u00e1 o engodo, o chamariz de fungos, de sanguessugas e de parasitas de toda esp\u00e9cie.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No mais, se existe um \u201chomem cordial\u201d, quem seria o seu contr\u00e1rio? Suspeito que posso encontrar boa parte da resposta toda vez que leio uma not\u00edcia de que um juiz brasileiro recebeu pr\u00eamio nos EUA ou na Europa pela \u201climpeza\u201d feita em terras emporcalhadas. Mas fiquemos com Jess\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\"><figure class=\"alignright\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/09\/13\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/a-radiografia-do-golpe\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/09\/a-radiografia-do-golpe.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1535\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em sua outra obra, <em>A radiografia do golpe<\/em>, o autor dirigir\u00e1 uma \u00e1spera cr\u00edtica a S\u00e9rgio Buarque de Holanda (que se estende a seus ep\u00edgonos Raymundo Faoro, Fernando Henrique Cardoso e Roberto DaMatta) sem hesitar na afirma\u00e7\u00e3o de que, na aus\u00eancia do mito do \u201chomem cordial\u201d &#8211; portanto, sem Buarque e seu cl\u00e1ssico <em>Ra\u00edzes do Brasil<\/em> &#8211; a Lava Jato n\u00e3o se sustentaria. Em outras palavras, Gilberto Freyre, mas, principalmente, S\u00e9rgio Buarque, teriam autorizado de forma proposital a confus\u00e3o entre os adjetivos \u201ccordial\u201d e \u201ccorrupto\u201d, interpretando um v\u00edcio pretensamente brasileiro como tend\u00eancia inata \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAo definir o homem cordial, literalmente o \u2018homem do cora\u00e7\u00e3o\u2019, como o prot\u00f3tipo do brasileiro de todas as classes [&#8230;], prisioneiro das pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es, ele sup\u00f5e que exista um outro tipo de gente que teria se libertado dessa pris\u00e3o. \u00c9 aqui que mora todo o racismo, toda a ingenuidade e toda a admira\u00e7\u00e3o basbaque do brasileiro com o complexo de vira-lata em rela\u00e7\u00e3o ao estrangeiro visto como superior\u201d<sup><a href=\"#sdendnote7sym\" id=\"sdendnote7anc\">vii<\/a><\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E \u00e9 muito curioso notar, ent\u00e3o, como o mito do \u201chomem cordial\u201d estaria significativamente pr\u00f3ximo da etimologia agostiniana de <em>corruptione<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mas Jess\u00e9 n\u00e3o atentou suficientemente para um elemento flagrante do uso e do abuso do mito do \u201chomem cordial\u201d, o do seu uso <em>como clich\u00ea<\/em>. Este elemento \u00e9 particularmente significativo se considerarmos que, para al\u00e9m de intelectuais da direita e da esquerda de todos os tempos, \u201cintelectuais\u201d da Lava Jato tamb\u00e9m lan\u00e7am m\u00e3o do tal \u201chomem cordial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Minha hip\u00f3tese \u00e9 a de que se notarmos enquanto clich\u00ea o uso recorrente dessa desculpa para tudo, ent\u00e3o poderemos alcan\u00e7ar uma melhor compreens\u00e3o sobre por que qualquer <em>combate daquela corrup\u00e7\u00e3o real<\/em><\/strong><strong> \u00e9 facilmente evitado ou comprometido. Indicar um inimigo oculto sob as sombras da cordialidade pode ser a melhor estrat\u00e9gia ret\u00f3rica &#8211; que soa simp\u00e1tica, mas \u00e9 pregui\u00e7osa em termos de reflex\u00e3o e cr\u00edtica &#8211; para facilitar a perpetua\u00e7\u00e3o das mais perversas pr\u00e1ticas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Tomemos, aqui, o uso de clich\u00eas como sin\u00f4nimo de aus\u00eancia de pensamento, de menoridade intelectual ou de comportamento condicionado, e veremos que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil assumi-lo como causa indireta \u2013 e de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o \u2013 da pr\u00e1tica de males que podem ser praticados de forma velada e em larga escala. No mais, recorrendo-se a clich\u00eas para jogar a culpa num sujeito oculto, todos e ningu\u00e9m s\u00e3o culpados, podendo-se eleger eventual ou constantemente bodes expiat\u00f3rios da corrup\u00e7\u00e3o dos tolos para, assim, transmitir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o explorada e v\u00edtima da desinforma\u00e7\u00e3o proposital uma indigna\u00e7\u00e3o teatral e c\u00ednica, como se o melhor senso de justi\u00e7a reinasse nos gabinetes de corpora\u00e7\u00f5es e nos est\u00fadios de televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Se considerarmos esses tr\u00eas elementos complementares &#8211; o uso de clich\u00eas, a aus\u00eancia de pensamento e a manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica &#8211; poder\u00edamos lan\u00e7ar um olhar para uma das mais ilustrativas figuras do Golpe de 2016 e da Lava Jato: em uma postagem de rede social transcrita por Jess\u00e9 em <em>A elite do atraso<\/em>, o jovem procurador Deltan Dallagnol afirma o seguinte, ao buscar justificar as Opera\u00e7\u00f5es por ele comandadas:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO estamento aristocr\u00e1tico, na cl\u00e1ssica avalia\u00e7\u00e3o de Raymundo Faoro, desenvolveu-se em um \u2018estamento burocr\u00e1tico\u2019, formado por autoridades p\u00fablicas que s\u00e3o esp\u00e9cies de \u2018seres superiores\u2019 que n\u00e3o se subordinam \u00e0 lei [&#8230;]. Some-se, dentro desse contexto, que, analisando as caracter\u00edsticas do brasileiro, o c\u00e9lebre S\u00e9rgio Buarque de Holanda, em seu consagrado \u2018Ra\u00edzes do Brasil\u2019, definiu-o o \u2018homem cordial\u2019 [&#8230;], criando o jeitinho brasileiro\u201d<sup><a href=\"#sdendnote8sym\" id=\"sdendnote8anc\">viii<\/a><\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Fungos, lembremos, n\u00e3o apenas n\u00e3o possuem ra\u00edzes, como tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o de f\u00e1cil localiza\u00e7\u00e3o, podem estar por toda parte. E clich\u00eas podem eximir qualquer um de qualquer responsabilidade, bem como possibilitar a acusa\u00e7\u00e3o e a condena\u00e7\u00e3o de pessoas e de grupos que se tornem politicamente indesejados. Podem jogar para \u201co todo\u201d o que, na aus\u00eancia dessa perigosa facilita\u00e7\u00e3o, seria delimitado e identific\u00e1vel. A estrat\u00e9gia do clich\u00ea tamb\u00e9m torna imposs\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o daquele ditado popular, comum no Brasil, de \u201ccortar o mal pela raiz\u201d. Em todo caso, ao menos o nome da maior Opera\u00e7\u00e3o anticorrup\u00e7\u00e3o &#8211; dos tolos &#8211; estaria coerente com o que se prop\u00f5e: \u201clavar\u201d, mas n\u00e3o necessariamente \u201ccortar\u201d ou \u201cextirpar\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Lava-se mal e porcamente a corrup\u00e7\u00e3o&nbsp;dos tolos, enquanto a corrup\u00e7\u00e3o&nbsp;real n\u00e3o \u00e9 sequer atingida em seus profundos tent\u00e1culos \u2013 e, muito menos, \u201ccortada\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A variedade de fungos n\u00e3o \u00e9 exclusividade da microbiologia. Os dias transcorridos p\u00f3s-Golpe de parasitas de 2016 tornam cristalina a certeza de que os fungos que atacaram a \u00e1rvore da democracia foram e s\u00e3o os da corrup\u00e7\u00e3o real, suficientemente camuflada por seus promotores para n\u00e3o ser percebida pelos tolos espectadores de clich\u00eas. Ademais, o consumo cada vez mais voraz de clich\u00eas haver\u00e1 de exibir seus resultados fecais nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, pois \u00e9 o maior cabo eleitoral de projetos protofascistas que dispensam a razoabilidade de pensamento e a pondera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><em>Poderiam estes elementos nos proporcionar alguma resposta para a defini\u00e7\u00e3o que Ver\u00edssimo disse estar faltando? As feridas abertas em torno das quais a variedade de fungos se aloja e se reproduz s\u00e3o feridas antigas, jamais cicatrizadas, e que se renovam sob novos e criativos ataques di\u00e1rios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"#sdendnote1anc\" id=\"sdendnote1sym\">i<\/a> VER\u00cdSSIMO, L. F. Das met\u00e1foras. <em>O Globo<\/em>, 1. Set. 2016, grifos meus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"#sdendnote2anc\" id=\"sdendnote2sym\">ii<\/a> Cf. FERREIRA, A. B. H.&nbsp;<em>Novo dicion\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa<\/em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975, p. 486.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"#sdendnote3anc\" id=\"sdendnote3sym\">iii<\/a> HORKHEIMER, M. <em>Eclipse da raz\u00e3o<\/em>. Trad. Carlos Henrique Pissardo. S\u00e3o Paulo: Unesp, 2015, p. 37.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"#sdendnote4anc\" id=\"sdendnote4sym\">iv<\/a> SOUZA, J. <em>A elite do atraso: da escravid\u00e3o \u00e0 Lava Jato<\/em>. Rio de Janeiro: LeYa, 2017, p. 9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"#sdendnote5anc\" id=\"sdendnote5sym\">v<\/a> Idem, p. 12-13.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"#sdendnote6anc\" id=\"sdendnote6sym\">vi<\/a> Idem, p. 226.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"#sdendnote7anc\" id=\"sdendnote7sym\">vii<\/a> SOUZA, J. <em>A radiografia do golpe<\/em>. S\u00e3o Paulo: LeYa, 2016, p. 36.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a id=\"sdendnote8sym\" href=\"#sdendnote8anc\">viii<\/a> DALLAGNOL, D. <em>apud<\/em> SOUZA, J. <em>A elite do atraso<\/em>, cit., p. 184.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Publicado originalmente em<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/09\/13\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\"> Open Phylosophy<\/a>.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por Vilmar Debona Em uma cr\u00f4nica de 1 de setembro de 2016, o escritor ga\u00facho Luis Fernando Ver\u00edssimo afirmava: \u201cDilma recorreu \u00e0 met\u00e1fora de uma frondosa \u00e1rvore, representando a democracia, para comparar golpe parlamentar e golpe militar. No militar, a \u00e1rvore \u00e9 destru\u00edda a machadadas. No parlamentar, \u00e9 atacada por fungos, parasitas e erva [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":526,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[46,54,58],"tags":[966],"class_list":["post-308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-discussoes","category-eleicoes-2018","category-especial-ciencia-e-politica","tag-politica"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas - Revista Blogs Unicamp<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas - Revista Blogs Unicamp\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Texto por Vilmar Debona Em uma cr\u00f4nica de 1 de setembro de 2016, o escritor ga\u00facho Luis Fernando Ver\u00edssimo afirmava: \u201cDilma recorreu \u00e0 met\u00e1fora de uma frondosa \u00e1rvore, representando a democracia, para comparar golpe parlamentar e golpe militar. No militar, a \u00e1rvore \u00e9 destru\u00edda a machadadas. No parlamentar, \u00e9 atacada por fungos, parasitas e erva [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Blogs Unicamp\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-09-24T00:06:26+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"dteach-home\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"dteach-home\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\"},\"author\":{\"name\":\"dteach-home\",\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#\/schema\/person\/49b22e62f57715078c363f5295b04703\"},\"headline\":\"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas\",\"datePublished\":\"2018-09-24T00:06:26+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\"},\"wordCount\":2260,\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"\",\"keywords\":[\"pol\u00edtica\"],\"articleSection\":[\"Discuss\u00f5es\",\"Elei\u00e7\u00f5es 2018\",\"ESPECIAL CI\u00caNCIA E POL\u00cdTICA\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\",\"url\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\",\"name\":\"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas - Revista Blogs Unicamp\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"\",\"datePublished\":\"2018-09-24T00:06:26+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#\/schema\/person\/49b22e62f57715078c363f5295b04703\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage\",\"url\":\"\",\"contentUrl\":\"\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#website\",\"url\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/\",\"name\":\"Revista Blogs Unicamp\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#\/schema\/person\/49b22e62f57715078c363f5295b04703\",\"name\":\"dteach-home\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d27369212f59c4a7855816609db43107cf27dc87cca0ffcfc495baf5ef769539?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d27369212f59c4a7855816609db43107cf27dc87cca0ffcfc495baf5ef769539?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d27369212f59c4a7855816609db43107cf27dc87cca0ffcfc495baf5ef769539?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"dteach-home\"},\"url\":\"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/author\/dteach-home\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas - Revista Blogs Unicamp","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas - Revista Blogs Unicamp","og_description":"Texto por Vilmar Debona Em uma cr\u00f4nica de 1 de setembro de 2016, o escritor ga\u00facho Luis Fernando Ver\u00edssimo afirmava: \u201cDilma recorreu \u00e0 met\u00e1fora de uma frondosa \u00e1rvore, representando a democracia, para comparar golpe parlamentar e golpe militar. No militar, a \u00e1rvore \u00e9 destru\u00edda a machadadas. No parlamentar, \u00e9 atacada por fungos, parasitas e erva [&hellip;]","og_url":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/","og_site_name":"Revista Blogs Unicamp","article_published_time":"2018-09-24T00:06:26+00:00","author":"dteach-home","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"dteach-home","Est. tempo de leitura":"12 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/"},"author":{"name":"dteach-home","@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#\/schema\/person\/49b22e62f57715078c363f5295b04703"},"headline":"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas","datePublished":"2018-09-24T00:06:26+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/"},"wordCount":2260,"image":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"","keywords":["pol\u00edtica"],"articleSection":["Discuss\u00f5es","Elei\u00e7\u00f5es 2018","ESPECIAL CI\u00caNCIA E POL\u00cdTICA"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/","url":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/","name":"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas - Revista Blogs Unicamp","isPartOf":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"","datePublished":"2018-09-24T00:06:26+00:00","author":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#\/schema\/person\/49b22e62f57715078c363f5295b04703"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#primaryimage","url":"","contentUrl":""},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/sobre-fungos-corrupcoes-e-cliches\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Sobre fungos, corrup\u00e7\u00f5es e clich\u00eas"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#website","url":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/","name":"Revista Blogs Unicamp","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/#\/schema\/person\/49b22e62f57715078c363f5295b04703","name":"dteach-home","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d27369212f59c4a7855816609db43107cf27dc87cca0ffcfc495baf5ef769539?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d27369212f59c4a7855816609db43107cf27dc87cca0ffcfc495baf5ef769539?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d27369212f59c4a7855816609db43107cf27dc87cca0ffcfc495baf5ef769539?s=96&d=mm&r=g","caption":"dteach-home"},"url":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/author\/dteach-home\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/308\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}