{"id":3127,"date":"2021-12-13T19:20:35","date_gmt":"2021-12-13T22:20:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/?p=3127"},"modified":"2021-12-13T19:20:35","modified_gmt":"2021-12-13T22:20:35","slug":"por-dentro-da-variante-omicron","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2021\/12\/13\/por-dentro-da-variante-omicron\/","title":{"rendered":"Por dentro da variante \u00d4micron"},"content":{"rendered":"\n<p>O mundo todo aguarda ansioso enquanto pesquisadores trabalham arduamente em seus laborat\u00f3rios. Tudo isso na tentativa de descobrir mais informa\u00e7\u00f5es sobre a nova variante do SARS-CoV-2 que vem criando d\u00favidas e p\u00e2nico nas popula\u00e7\u00f5es: a variante \u00d4micron. Por causa disso, n\u00f3s, do Blogs Unicamp, decidimos fazer um apanhado geral do que se sabe at\u00e9 o momento sobre essa variante. Nosso objetivo hoje \u00e9 mostrar que, apesar de toda a preocupa\u00e7\u00e3o, talvez n\u00e3o seja o fim do mundo. <strong>Muito menos a volta \u00e0 estaca zero que muitos alegam<\/strong>. Ou seja, estamos aqui defendendo o \u201cmenos alarmismo, mais compreens\u00e3o do problema\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Onde surgiu essa variante?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As coisas aqui podem parecer um pouco confusas. Mas \u00e9 importante deixar uma coisa bem clara! Vamos l\u00e1: o lugar onde uma variante \u00e9 detectada pela PRIMEIRA vez, n\u00e3o necessariamente \u00e9 o lugar onde essa variante surgiu. Por exemplo, em uma situa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVamos pegar a variante Gama, que apareceu em Manaus. Ela poderia ter sido detectada pela primeira vez em outro pa\u00eds, digamos, em Portugal, a partir de uma pessoa que viajou de Manaus para l\u00e1. Apesar dela ter sido detectada em Portugal, ela n\u00e3o teria <strong>SURGIDO<\/strong> l\u00e1. Ela somente foi vista primeiro em Portugal. Pois um viajante de Manaus teria demonstrado sintomas de COVID-19, testado positivo no teste de diagn\u00f3stico por RT-qPCR. Posteriormente, teria o genoma do v\u00edrus que estava no seu corpo sequenciado. Em suma, a variante teria sido DETECTADA em Portugal, mas a primeira pessoa com ela (o chamado primeiro paciente ou paciente zero) seria do Brasil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Perceba que para uma variante ser <strong>detectada<\/strong> s\u00e3o necess\u00e1rias duas etapas. Ali\u00e1s, etapas que temos defendido desde o in\u00edcio da pandemia, aqui no Blogs: Testagem Diagn\u00f3stica e Sequenciamento Gen\u00f4mico. Estes dois passos s\u00e3o fundamentais para sabermos n\u00e3o apenas a quantidade de casos, mas as muta\u00e7\u00f5es do v\u00edrus e, tamb\u00e9m, poss\u00edveis variantes importantes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Agora vamos separar esses momentos para a variante Omicron:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-list\"><li><strong>11 de novembro de 2021<\/strong>. O genoma do primeiro caso da variante Omicron \u00e9 sequenciado, a partir de um paciente em Botsuana, um pa\u00eds do sul da \u00c1frica.&nbsp;<ul><li>Nos dias que se seguem, s\u00e3o sequenciados outros genomas. S\u00e3o eles: um caso em Hong Kong, a partir de um paciente que tinha vindo da \u00c1frica do Sul.<\/li><li>Ao mesmo tempo, alguns casos come\u00e7am a aparecer na \u00c1frica do Sul, na regi\u00e3o de Gauteng. Esta \u00e9 a regi\u00e3o com maior fluxo de viajantes nacionais e internacionais do pa\u00eds (correspondente a S\u00e3o Paulo, aqui no Brasil).<\/li><li>At\u00e9 esse momento, pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o era dada a essa variante do SARS-CoV-2.<\/li><\/ul><\/li><li><strong>24 de novembro de 2021<\/strong>. Pesquisadores da \u00c1frica do Sul notam que essa variante tinha um n\u00edvel de muta\u00e7\u00e3o alt\u00edssimo na prote\u00edna <em>Spike <\/em>e no resto do v\u00edrus todo. Assim, neste momento, come\u00e7am a se mobilizar para entender melhor ela.<\/li><li><strong>26 de novembro de 2021<\/strong>. Ap\u00f3s ter sido notificada pelos pesquisadores da \u00c1frica do Sul, a OMS anuncia uma nova variante, chamada \u00d4micron, como uma <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/variantes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>VOC (ou Variante de Preocupa\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/a>.<\/li><li><strong>29 de novembro de 2021.<\/strong> variante \u00d4micron j\u00e1 \u00e9 detectada em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, al\u00e9m de Israel e Canad\u00e1.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que todo o alarde quanto \u00e0 essa nova variante?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Muito do espanto, medo e perguntas sobre a variante \u00d4micron gira ao redor do grande n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es que ela possui. Para fins de compara\u00e7\u00e3o, podemos entender essas muta\u00e7\u00f5es como pequenas diferen\u00e7as que essa variante possui quando comparada com o v\u00edrus original, l\u00e1 do come\u00e7o da pandemia, no surto de Wuhan na China.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas diferen\u00e7as podem ser tanto ben\u00e9ficas quanto mal\u00e9ficas para o v\u00edrus. Isto \u00e9, podem apresentar uma vantagem (como uma maior transmissibilidade, letalidade ou capacidade de fugir do nosso sistema imune &#8211; a chamada <strong>Evas\u00e3o Imune<\/strong>), ou uma desvantagem (nas mesmas caracter\u00edsticas que mencionamos anteriormente). Ao todo, a variante \u00d4micron possui um pouco mais de 50 muta\u00e7\u00f5es. Ou seja, esse v\u00edrus possui 50 diferen\u00e7as do SARS-CoV-2 original. De todas essas muta\u00e7\u00f5es, 32 delas s\u00e3o na prote\u00edna <em>Spike<\/em> e acredite, caro leitor(a), quando dizemos que isso \u00e9 muito. Para uma nova compara\u00e7\u00e3o, a variante Delta (que atualmente \u00e9 a variante dominante no mundo) possui 16 muta\u00e7\u00f5es na sua <em>Spike<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"has-text-align-center has-accent-background-color has-background wp-block-heading\">A princ\u00edpio, imaginou-se que pelo grande n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es, os testes de diagn\u00f3stico por RT-qPCR n\u00e3o conseguiriam detectar essa variante. Mas j\u00e1 sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 mais um problema: pesquisadores j\u00e1 viram que os testes de RT-qPCR conseguem detectar essa nova variante normalmente.<\/h4>\n\n\n\n<p>Dessas 32 muta\u00e7\u00f5es na sua prote\u00edna Spike, algumas s\u00e3o bem raras. Enquanto outras j\u00e1 s\u00e3o conhecidas por estarem presentes tamb\u00e9m em outras variantes, como a Alfa, Beta, Gama e Delta. A preocupa\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 porque algumas dessas muta\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas est\u00e3o relacionadas a uma maior transmissibilidade e um poss\u00edvel escape imunol\u00f3gico. Entretanto, aqui deixamos bem claro: ainda N\u00c3O H\u00c1 INFORMA\u00c7\u00d5ES e dados confi\u00e1veis mostrando que a variante \u00d4micron seja realmente mais transmiss\u00edvel. Tampouco que escape da prote\u00e7\u00e3o gerada pelas vacinas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto cientistas correm nos laborat\u00f3rios para tentar responder essas perguntas, outros pesquisadores olham para an\u00e1lises computacionais e suspeitam que caso haja um escape imunol\u00f3gico por parte dessa variante, ele seja similar ao que vimos para a variante Beta e Delta (uma redu\u00e7\u00e3o na prote\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o completamente!). Dessa forma, as vacinas ainda continuariam protegendo as pessoas. Ao mesmo tempo, outros pesquisadores desconfiam que, pelo alto n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es, talvez essa variante n\u00e3o consiga se transmitir t\u00e3o bem quanto outras (a chamada baixa estabilidade).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Como se tudo isso n\u00e3o bastasse&#8230;<\/h4>\n\n\n\n<p>Recentemente tamb\u00e9m descobriram que h\u00e1 uma segunda forma (uma variante) da pr\u00f3pria variante \u00d4micron (assim como tamb\u00e9m aconteceu com a variante de Manaus) que, entre outras coisas, n\u00e3o possui alguns genes que s\u00e3o utilizados pelos testes de RT-qPCR para identificar o v\u00edrus e as variantes. Mas o que isso significa?<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, a princ\u00edpio isso quer dizer que os testes de RT-qPCR continuam detectando o v\u00edrus SARS-CoV-2 em uma pessoa, ent\u00e3o n\u00e3o precisa entrar em p\u00e2nico. Se, por um acaso, voc\u00ea ou algum(a) conhecido(a) venha pegar essa variante, ele ou ela ainda poder\u00e1 ser diagnosticado(a). O problema \u00e9 que, com as outras variantes, esse mesmo teste era capaz de dar uma ideia preliminar de qual \u201ctipo\u201d esse v\u00edrus poderia ser. Em outras palavras, o teste diria se a pessoa est\u00e1 com o v\u00edrus ou n\u00e3o, e qual variante ele seria. Agora para a variante \u00d4micron, o que se viu at\u00e9 o momento foi que os testes de RT-qPCR conseguem sim identificar se a pessoa tem esse v\u00edrus ou n\u00e3o no corpo, mas n\u00e3o conseguem dizer se ele \u00e9 da variante \u00d4micron.<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente, para ficar bem claro: at\u00e9 o momento <strong>n\u00e3o h\u00e1 quaisquer informa\u00e7\u00f5es concretas<\/strong> que mostrem uma maior transmissibilidade, infecciosidade e escape imunol\u00f3gico das variantes \u00d4micron.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ok, j\u00e1 sabemos onde essa variante surgiu e porqu\u00ea todos est\u00e3o espantados como ela. E com isso, aparece outra d\u00favida: como ela surgiu?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma das principais perguntas que os cientistas t\u00eam feito. Atualmente, a comunidade cient\u00edfica tem proposto tr\u00eas ideias para responder essa quest\u00e3o. Algumas dessas hip\u00f3teses foram pensadas a partir de an\u00e1lises feitas para se ver a \u201c\u00e1rvore geneal\u00f3gica\u201d desse v\u00edrus. Essa \u00e1rvore geneal\u00f3gica mostrou que, aparentemente, a variante \u00d4micron n\u00e3o \u201cnasceu\u201d a partir de outras variantes, mas sim que ela teria sua origem l\u00e1 atr\u00e1s, no come\u00e7o da pandemia. Mas para entender isso melhor, vamos olhar as ideias que os cientistas t\u00eam proposto para responder a pergunta de como ela teria surgido:<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">A Variante apareceu &#8220;naturalmente.<\/h5>\n\n\n\n<p>A variante teria nascido \u201cnaturalmente\u201d dentro de uma popula\u00e7\u00e3o com baixa vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, em outras palavras, uma popula\u00e7\u00e3o que estava fazendo poucos testes de diagn\u00f3stico e poucos sequenciamentos de genomas virais. Dessa forma, a \u00d4micron teria ficado meses \u201cescondida\u201d nessa popula\u00e7\u00e3o, que muito provavelmente seria de um lugar afastado de grandes centros, o que poderia explicar o grande ac\u00famulo de muta\u00e7\u00f5es e ser oriunda de um v\u00edrus mais \u201cantigo\u201d. Entretanto, muitos pesquisadores argumentam que seria imposs\u00edvel uma variante desse n\u00edvel ter ficado escondida por tanto tempo, visto que atualmente tem se sequenciado muitos genomas de SARS-CoV-2.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Spillover<\/h5>\n\n\n\n<p>A segunda ideia de surgimento seria a partir do chamado <em>Spillover<\/em> (pode ver esse texto <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/minhas-impressoes-contagio-de-david-quammen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a> para entender melhor esse processo). Isto \u00e9, um v\u00edrus SARS-CoV-2 ter passado de um humano para um animal, nesse animal o v\u00edrus teria acumulado muta\u00e7\u00f5es e ent\u00e3o, depois de um tempo, teria voltado para o ser humano como a variante \u00d4micron.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos motivos que levam os cientistas a considerar essa hip\u00f3tese \u00e9 a presen\u00e7a de algumas muta\u00e7\u00f5es na prote\u00edna <em>Spike<\/em> da \u00d4micron que j\u00e1 foram vistas em outras variantes. Sabe-se que essas muta\u00e7\u00f5es que aumentam o n\u00famero e tipos de hospedeiros do v\u00edrus, tornam a variante capaz de infectar outras esp\u00e9cies de animais, como por exemplo roedores.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Infec\u00e7\u00f5es Cr\u00f4nicas<\/h5>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese mais aceita at\u00e9 o momento \u00e9 que a variante teria aparecido a partir de infec\u00e7\u00f5es muito longas (as chamadas infec\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas) de COVID-19, provavelmente em um paciente imunocomprometido, isso \u00e9, um paciente em que o sistema imune est\u00e1 debilitado, por exemplo, pacientes com AIDS ou sob tratamento de c\u00e2ncer. A ideia por tr\u00e1s dessa hip\u00f3tese \u00e9 o v\u00edrus ter ficado se replicando v\u00e1rias vezes nessa pessoa, por muito tempo, acumulando muta\u00e7\u00f5es, sem que o sistema imune dela conseguisse combat\u00ea-lo eficientemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a boa not\u00edcia por tr\u00e1s disso seria que todo esse ac\u00famulo de muta\u00e7\u00f5es para conseguir sobreviver em uma pessoa por tanto tempo, tamb\u00e9m viria com um custo para o v\u00edrus: uma menor capacidade de se transmitir de pessoa para pessoa. Mas, ainda n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es claras sobre essa possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 pensando nessa possibilidade para o surgimento de variantes, que mais uma vez vemos porque a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante no combate \u00e0 pandemia. Al\u00e9m de reduzir o risco de infec\u00e7\u00e3o grave e severa, j\u00e1 foi visto que pessoas vacinadas conseguem combater o v\u00edrus mais r\u00e1pido, impedindo que ela fique se multiplicando no corpo por um maior per\u00edodo de tempo, o que diminui as possibilidades dele acumular muta\u00e7\u00f5es como as que foram visto nas variantes Alfa, Beta, Gama, Delta e \u00d4micron.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Finalmente, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual do mundo e do Brasil com essa variante?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Atualmente, detectaram a variante \u00d4micron em mais de 50 pa\u00edses ao redor de todo o mundo. Entretanto, at\u00e9 onde se sabe, as pessoas infectadas na maioria desses pa\u00edses eram viajantes que tinham vindo de outro lugar. At\u00e9 o momento s\u00e3o poucos os pa\u00edses que tiveram a chamada <strong>Transmiss\u00e3o Comunit\u00e1ria<\/strong>, isso \u00e9, uma pessoa que tem um caso de COVID-19 causado pela variante \u00d4micron, mas que n\u00e3o se sabe quem pode ter passado o v\u00edrus para essa pessoa (em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer o rastreio do v\u00edrus).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, at\u00e9 o momento em que escrevo esse texto (\u00e0s 13:20 do dia 7 de Dezembro de 2021), confirmaram-se 6 casos. Um n\u00famero baixo, mas que foram suficientes para cancelarem muitas feitas do R\u00e9veillon por todo o territ\u00f3rio nacional (algo que j\u00e1 fal\u00e1vamos que n\u00e3o deveria acontecer com grandes multid\u00f5es e aglomera\u00e7\u00f5es). Entretanto, alguns cientistas est\u00e3o propondo que h\u00e1 mais casos do que parecem no Brasil, simplesmente por termos uma alta taxa de subnotifica\u00e7\u00f5es e um baixo n\u00famero de testes de diagn\u00f3stico e sequenciamento (a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica que comentei no in\u00edcio).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, termino esse texto lembrando que a vacina\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds pode sim ajudar a combater a pandemia de COVID-19. Mas somente isso n\u00e3o vai resolver o problema. Enquanto 80% de todas as doses de vacinas estiverem concentradas em 20 pa\u00edses do mundo, sendo que muitos desses pa\u00edses estagnaram em 60% ou 70% da cobertura vacinal de sua popula\u00e7\u00e3o (o que n\u00e3o \u00e9 suficiente para resolver o problema), ainda veremos muitas variantes surgindo atrav\u00e9s do globo, principalmente em pa\u00edses com coberturas vacinais baixas (como muitos da \u00c1frica).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>PARA SABER MAIS:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mellanie Fontes-Dutra <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mellziland\/status\/1463912460507881477\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vamos falar da B.1.1.529<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mellanie Fontes-Dutra <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mellziland\/status\/1466477616433700867\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que sabemos da #\u00d4micron at\u00e9 o momento?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Andrews, L (2021) <a href=\"https:\/\/www.dailymail.co.uk\/news\/article-10238113\/New-Botswana-variant-32-horrific-mutations-evolved-Covid-strain-EVER.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Botswana variant with 32 &#8216;horrific&#8217; mutations is the most evolved Covid strain EVER and could be &#8216;worse than Delta&#8217; \u2014 as expert says it may have emerged in an HIV patient<\/a> <strong><em>MailOnline<\/em><\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agencia Brasil (2021) <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2021-11\/descoberta-nova-variante-do-coronavirus-com-grande-numero-de-mutacoes\"><em>Descoberta nova variante do coronav\u00edrus com grande n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es<\/em><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Corum, J; Zimmer, C (2021) <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2021\/health\/coronavirus-variant-tracker.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tracking Omicron and Other Coronavirus Variants<\/a><em>, <\/em><strong><em>New York Times<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardim, ME (2021) <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2021\/12\/4967296-terceiro-caso-da-variante-omicron-e-identificado-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Terceiro caso da variante \u00f4micron \u00e9 identificado no Brasil<\/a>, <strong><em>Correio Braziliense<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Kupferschmidt, K (2021) <a href=\"https:\/\/www.science.org\/content\/article\/where-did-weird-omicron-come\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Where did \u2018weird\u2019 Omicron come from?<\/a> <strong><em>Science<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Couzin-Frankel, J (2021) <a href=\"https:\/\/www.science.org\/content\/article\/cancer-survivor-had-longest-documented-covid-19-infection-here-s-what-scientists-learned\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A cancer survivor had the longest documented COVID-19 infection. Here\u2019s what scientists learned<\/a>, <strong><em>Science<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Chotiner, I (2021) <a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/news\/q-and-a\/how-south-african-researchers-identified-the-omicron-variant-of-covid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">How South African Researchers Identified the Omicron Variant of COVID<\/a><strong><em>, The New Yorker<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Petersen, E, Ntoumi, F, Hui, DS, Abubakar, A, Kramer, LD, Obiero, C, &#8230; &amp; Zumla, A (2021) <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ijid.2021.11.040\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Emergence of new SARS-CoV-2 Variant of Concern Omicron (B. 1.1. 529)-highlights Africa&#8217;s research capabilities, but exposes major knowledge gaps, inequities of vaccine distribution, inadequacies in global COVID-19 response and control efforts<\/a>, <strong><em>International Journal of Infectious Diseases<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Karim, SSA, &amp; Karim, QA (2021) <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S0140-6736(21)02758-6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Omicron SARS-CoV-2 variant: a new chapter in the COVID-19 pandemic<\/a>, <strong><em>The Lancet<\/em><\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Viggiano, G (2021) <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/por-que-ha-desigualdade-de-vacinas-no-mundo-e-o-que-isso-tem-a-ver-com-a-omicron\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Por que h\u00e1 desigualdade de vacinas no mundo e o que isso tem a ver com a \u00d4micron<\/a>, <strong><em>CNN<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>G1 (2021) <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2021\/11\/29\/oms-diz-que-variante-omicron-representa-risco-alto-para-o-mundo.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">OMS diz que variante \u00f4micron representa risco alto para o mundo<\/a>, <strong>G1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Costa, AG (2021) <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/omicron-o-que-dizem-autoridades-de-paises-onde-a-nova-variante-ja-chegou\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00d4micron: o que dizem autoridades de pa\u00edses onde a nova variante j\u00e1 chegou<\/a>,<em> <\/em><strong><em>CNN<\/em><\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ansede, M (2021) <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2021-12-06\/omicron-assim-e-o-coronavirus-frankenstein-que-assusta-o-planeta.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00d4micron: assim \u00e9 o coronav\u00edrus \u2018Frankenstein\u2019 que assusta o planeta<\/a>, <strong><em>El Pa\u00eds Brasil<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>The Guardian (2021) <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2021\/dec\/07\/scientists-find-stealth-version-of-omicron-not-identifiable-with-pcr-test-covid-variant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Scientists find \u2018stealth\u2019 version of Omicron that may be harder to track<\/a>, The Guardian<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Este texto foi escrito com exclusividade para o <a href=\"http:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Especial COVID-19<\/a> <\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/elementor\/thumbs\/logo_-onj4s5m6vf0hml07f9yn7c6a77kn5fk3fpbt3dhc00.png\" alt=\"logo_\" title=\"logo_\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Os argumentos expressos nos posts deste especial s\u00e3o dos pesquisadores. Dessa forma, produziu-se<\/strong> <strong>textos produzidos a partir de campos de pesquisa cient\u00edfica e atua\u00e7\u00e3o profissional dos pesquisadores<\/strong>. <strong>Al\u00e9m disso, a revis\u00e3o por pares aconteceu por pesquisadores da mesma \u00e1rea t\u00e9cnica-cient\u00edfica da Unicamp. Assim, n\u00e3o, necessariamente, representam a vis\u00e3o da Unicamp e essas opini\u00f5es n\u00e3o substituem conselhos m\u00e9dicos.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo todo aguarda ansioso enquanto pesquisadores trabalham arduamente em seus laborat\u00f3rios. Tudo isso na tentativa de descobrir mais informa\u00e7\u00f5es sobre a nova variante do SARS-CoV-2 que vem criando d\u00favidas e p\u00e2nico nas popula\u00e7\u00f5es: a variante \u00d4micron. 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