{"id":3919,"date":"2018-09-23T19:52:25","date_gmt":"2018-09-23T22:52:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/2018\/09\/23\/nada-sobre-nos-sem-nos-ou-pelo-direito-de-representar-nos-mesmas\/"},"modified":"2018-09-23T19:52:25","modified_gmt":"2018-09-23T22:52:25","slug":"nada-sobre-nos-sem-nos-ou-pelo-direito-de-representar-nos-mesmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clorofreela.com.br\/revistablogs\/2018\/09\/23\/nada-sobre-nos-sem-nos-ou-pelo-direito-de-representar-nos-mesmas\/","title":{"rendered":"\u201cNada sobre n\u00f3s sem n\u00f3s\u201d ou pelo direito de representar n\u00f3s mesmas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right eplus-wrapper\"><em><mark class=\"has-inline-color has-pale-cyan-blue-color\">Escrito por <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/author\/mariafernanda\/\">Maria Fernanda<\/a> com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/blog\/author\/olimauricio\/\">Maur\u00edcio Oliveira<\/a><\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Desde o final do s\u00e9culo XX se inscreveram na mem\u00f3ria social outros sentidos poss\u00edveis para prostitui\u00e7\u00e3o. Ressignifica\u00e7\u00f5es trabalhistas, feministas e de luta coletiva dos trabalhadores organizados abalaram antigas certezas vitimistas e resgatistas por meio da enuncia\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias pessoas que se prostituem, realizadas no singular ou no plural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Com uma longa trajet\u00f3ria de alian\u00e7as que inclusive tutelavam suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva a autonomia foi uma conquista trabalhosa e cativa. Passaram com bastante custo, embate e jeitinho a protagonizar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria; a n\u00e3o mais figurar em uma narrativa constru\u00edda e contada por outros grupos de pessoas, sem suas interven\u00e7\u00f5es diretas e fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/09\/1-2-480x381.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 um pouco isso que o lema \u201cnada sobre n\u00f3s sem n\u00f3s\u201d traz consigo. Referenciando os ac\u00famulos do texto \u201cDa integra\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o\u201d, texto alusivo \u00e0 luta coletiva de deficientes por direitos, publicado em site em Novembro de 2011, retomo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>NADA quer dizer \u201cNenhum resultado\u201d:&nbsp;<strong>lei, pol\u00edtica p\u00fablica, programa, servi\u00e7o, projeto, campanha, financiamento, edifica\u00e7\u00e3o, aparelho, equipamento, utens\u00edlio, sistema, estrat\u00e9gia, benef\u00edcio<\/strong>&nbsp;etc. [\u2026]<\/p><p>SOBRE N\u00d3S,ou seja, \u201ca respeito das pessoas com defici\u00eancia\u201d. Estas&nbsp;<strong>pessoas s\u00e3o de qualquer etnia, ra\u00e7a, g\u00eanero, idade, nacionalidade, naturalidade<\/strong>&nbsp;etc., e a defici\u00eancia pode ser f\u00edsica, intelectual, visual, auditiva, psicossocial ou m\u00faltipla. Segue-se uma v\u00edrgula (com fun\u00e7\u00e3o de elipse, uma figura de linguagem que substitui uma locu\u00e7\u00e3o verbal) que, neste caso, substitui a express\u00e3o&nbsp;<strong>\u201chaver\u00e1 de ser gerado\u201d<\/strong>.<\/p><p>SEM N\u00d3S, ou seja, \u201csem a plena participa\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias pessoas com defici\u00eancia\u201d. Esta participa\u00e7\u00e3o, individual ou coletiva, mediante qualquer meio de comunica\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 ocorrer em todas as etapas do processo de gera\u00e7\u00e3o dos resultados acima referidos. As principais etapas s\u00e3o:&nbsp;<strong>a elabora\u00e7\u00e3o, o refinamento, o acabamento, a implementa\u00e7\u00e3o, o monitoramento, a avalia\u00e7\u00e3o e o cont\u00ednuo aperfei\u00e7oamento<\/strong>&nbsp;(SASSAKI, 2011,<em>&nbsp;grifos meus<\/em>).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesse recorte interseccionamos com outro movimento (o de deficientes intelectuais, f\u00edsicos e sensoriais) que tamb\u00e9m luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o. Essa empreitada, como podemos notar com o trecho acima, n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfico da luta dos trabalhadores sexuais. Mas \u00e9 nesse ensejo do movimento afirmativo de protagonismo que temos resumidamente uma s\u00edntese: nenhum resultado a respeito da luta das pessoas que s\u00e3o o foco do movimento organizado, sobre as quais efetivamente incidir\u00e3o as pol\u00edticas tra\u00e7adas, haver\u00e1 de ser gerado sem a plena participa\u00e7\u00e3o dessas pr\u00f3prias pessoas. N\u00e3o s\u00f3 gerado, acrescentamos, mas \u2013 parafraseando o \u00faltimo recorte \u2013 sem PARTICIPA\u00c7\u00c3O PLENA, que \u00e9<em>&nbsp;elaborar, refinar, acabar, implementar, monitorar, avaliar&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>continuamente aperfei\u00e7oar<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesse vi\u00e9s n\u00e3o me deixo levar pelo neoliberalismo parco que afirmaria, contra-argumentando ent\u00e3o que qualquer pessoa que possa a vir assumir publicamente a condi\u00e7\u00e3o de trabalhador sexual (seja qual for suas propostas e poss\u00edveis atua\u00e7\u00f5es governamentais) que n\u00e3o se comprometam publicamente com as demandas centrais do movimento internacional de trabalhadores dessa categoria. Ou seja, que n\u00e3o se op\u00f5em \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se posicionam em prol da revoga\u00e7\u00e3o de todas as leis e regulamenta\u00e7\u00f5es punitivas relativas e relacionadas ao trabalho a fim de garantir que os governos defendam os direitos humanos dos profissionais do sexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Afinal, com o ac\u00famulo gerado nesses anos de constru\u00e7\u00e3o e do qual aos poucos me filio, partimos do pressuposto de que enquanto o trabalho sexual for criminalizado \u2013 direta ou indiretamente atrav\u00e9s de leis e pr\u00e1ticas de&nbsp;coer\u00e7\u00e3o&nbsp;seja dos profissionais do sexo, dos clientes ou ainda de terceiros haver\u00e1 sempre um risco maior de viol\u00eancia (incluindo a policial), de deten\u00e7\u00f5es, de chantagens, de deporta\u00e7\u00f5es e outras viola\u00e7\u00f5es de direitos que precisam ser combatidas.<br>Isto tem um peso significativo enorme quando retomamos toda a criminaliza\u00e7\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o empreendida por diversos setores da sociedade contra os sujeitos e suas pr\u00e1ticas e, por extens\u00e3o, ao trabalho sexual como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por isso, na v\u00e9spera da elei\u00e7\u00e3o de 2018, destacaremos nessa&nbsp;<em>blogagem<\/em>&nbsp;coletiva da edi\u00e7\u00e3o especial do&nbsp;<em>Blogs de Ci\u00eancia da Unicamp<\/em>&nbsp;de&nbsp;<em>Ci\u00eancia e Pol\u00edtica<\/em>&nbsp;as candidaturas pol\u00edticas de prostitutas no Brasil. Destacando as atuais e retomando algumas das anteriores, convidamos a todos conhecer um pouco mais de perto as propostas de cada representante.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"eplus-wrapper wp-block-list\"><li>Cida Vieira , em 2004, 14 anos atr\u00e1s, j\u00e1 disputava o cargo de vereadora de Belo Horizonte. Com uma trajet\u00f3ria de campanha mais longa que de suas companheiras, concorreu mais quatro vezes tamb\u00e9m para deputada estadual e deputada federal, todas por Minas Gerais: 2006, 2008, 2014 e 2018. Se filiou inicialmente ao Partido Trabalhista Nacional e hoje faz parte do Partido Comunista do Brasil. Esse ano novamente se empenha em<a href=\"https:\/\/youtu.be\/HZ7N9WssRe4\">&nbsp;gritar por voc\u00ea<\/a>!&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/09\/2.jpeg\"><\/a><\/li><li>C\u00e9lia Gomes, por sua vez, marinheira de primeira viagem, concorre neste ano a deputada estadual pelo Partido de Trabalhista Crist\u00e3o e representa o estado do Piau\u00ed.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/09\/3.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/09\/3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1398\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">3.&nbsp;Se lan\u00e7ando neste mar bravo, nem sempre piedoso, Ana Santos pelo Partido de Mobiliza\u00e7\u00e3o Nacional concorre tamb\u00e9m a deputada estadual mas por Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/09\/WhatsApp-Image-2018-09-17-at-20.42.03.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/09\/WhatsApp-Image-2018-09-17-at-20.42.03-212x300.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1404\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Essas integrantes e protagonistas do movimento, no entanto n\u00e3o foram as primeiras a se lan\u00e7arem na carreira pol\u00edtica se juntando a outras companheiras que tamb\u00e9m ousaram tra\u00e7ar esse caminho espinhoso que nem sempre nos admite sequer na arquibancada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E foi assim que, como sempre vanguarda, uma das personalidades mais consolidadas na defesa do direito dos profissionais do sexo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\"><li>h\u00e1 16 anos Lourdes Barreto j\u00e1 se lan\u00e7ava como candidata a deputada estadual concorrendo em 2002 pelo Partido dos Trabalhadores.<\/li><li>Posteriormente Gabriela Leite, tamb\u00e9m fundadora do movimento, concorreu a deputada federal pelo Partido Verde nas elei\u00e7\u00f5es de 2010, h\u00e1 oito anos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">2016, ineditamente, foi o ano de representa\u00e7\u00f5es travestis e transg\u00eaneras:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\"><li>Indianara Siqueira em 2016 concorreu ao cargo de vereadora do Rio de Janeiro em 2016 pelo Partido Socialismo e Liberdade e<\/li><li>Amara Moira que concorre para o mesmo cargo, mas na cidade de Campinas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para finalizar, destaco ainda o inestim\u00e1vel valor dessas parcerias na estrutura do movimento s\u00f3lido que temos hoje. Jovem, robusto e s\u00f3lido. E, ao mesmo tempo, real\u00e7ar que por mais ader\u00eancia que os apoiadores aliados possam ter ao discurso dos grupos de trabalhadores sexuais organizados, ainda n\u00e3o estar\u00e3o na mesma posi\u00e7\u00e3o que uma prostituta, um mich\u00ea, uma travesti profissional do sexo. At\u00e9 porque, mesmo que a n\u00edvel verbal haja semelhan\u00e7as, pontos de converg\u00eancia e sintonia, o lugar n\u00e3o s\u00f3 social como tamb\u00e9m de fala \u00e9 outro. A posi\u00e7\u00e3o social \u00e9 outra. Inclusive, a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre essas duas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o de sustenta\u00e7\u00e3o, apoio, e n\u00e3o de equival\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Neste outro momento, bastante diferente dos fundadores, do final dos anos 1980 e das d\u00e9cadas que se seguiram (1990, 2000 e 2010) corro o risco de dizer (parafraseando a no\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>porta-voz<\/em>&nbsp;de P\u00eacheux (1990)) que conseguimos a duras penas constituir um n\u00f3s discursivo que passe a sustentar enuncia\u00e7\u00f5es e demandas pol\u00edticas em nome pr\u00f3prio, sem a necessidade de um t\u00e9cnico apoiador no papel de mediador discursivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Digo isto porque costurando a chamada \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d da ci\u00eancia atualmente, que sofre tantos ataques via cortes or\u00e7ament\u00e1rios e desqualifica\u00e7\u00e3o enquanto produtor de conhecimentos, viemos tecer conex\u00f5es levando ao nosso p\u00fablico leitor mais informa\u00e7\u00f5es sobre nosso papel na sociedade encadeando com reflex\u00f5es te\u00f3ricas que fundamentam essa parceria de extens\u00e3o universit\u00e1ria com as tr\u00eas redes de articula\u00e7\u00e3o do movimento nacional de profissionais do sexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E \u00e9 por isso que refor\u00e7o que essa posi\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>porta-voz<\/em>, conceituada por P\u00eacheux em 1990, no\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter contradit\u00f3rio e paradoxal, \u00e9 extremamente privilegiada para ser ocupada apenas por colegas que simpatizam com nossas pautas. Essa posi\u00e7\u00e3o, a de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no governo, \u00e9 t\u00e3o valiosa que, nas palavras deste autor com o qual eu tanto me identifico, permite n\u00e3o s\u00f3 a narra\u00e7\u00e3o do presente que vivemos como tamb\u00e9m delineia os contornos do futuro que estamos hoje construindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando aqui falo desse movimento duplo que representantes leg\u00edtimos podem ocupar falo da possibilidade de narrar acontecimentos quanto de propor a\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, retomo as duas posi\u00e7\u00f5es vis\u00edveis na qual se desdobra o&nbsp;<em>porta-voz<\/em>: uma de ator, \u201caquele que se exp\u00f5e ao olhar do poder que ele afronta\u201d; outra a de agente que resiste e fala \u201cem nome daqueles que ele representa, sob o seu olhar\u201d (p.17).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse&nbsp;<em>porta-voz<\/em>&nbsp;se trata de uma figura discursiva que, em termos de como funciona na pr\u00e1tica, em suas palavras, circula entre as posi\u00e7\u00f5es de&nbsp;<em>profeta<\/em>, de&nbsp;<em>dirigente<\/em>&nbsp;e de&nbsp;<em>homem de Estado<\/em>. Se constitui como&nbsp;<strong>o agente de contradi\u00e7\u00f5es e deslocamentos<\/strong>, porque atua entre o mundo existente e a possibilidade de um outro mundo. \u00c9 o corpo (t\u00e3o desejado) talvez impulsionado pela semente da resist\u00eancia que perturba o campo do pol\u00edtico, que pode vir a promover mudan\u00e7as, rupturas \u2013 ou, em tempos sombrios e temerosos, estagna\u00e7\u00f5es, retrocessos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Al\u00e9m disso, em ac\u00famulos consolidados no grupo de pesquisa que fa\u00e7o parte (o&nbsp;<em>Mulheres em Discurso<\/em>) consideramos que iniciativas como essas na qual sujeitos que n\u00e3o pertencem ao grupo do qual&nbsp;<strong>falam em nome de<\/strong>, recusando-se a ceder o protagonismo a quem efetivamente o det\u00e9m, funcionam mais de modo a&nbsp;<strong>interceder por<\/strong>&nbsp;do que&nbsp;<strong>lutar com<\/strong>. Em outras palavras, operam o&nbsp;<em>silenciamento condicional<\/em>&nbsp;quando h\u00e1 a elabora\u00e7\u00e3o e enuncia\u00e7\u00e3o de demandas coletivas atrav\u00e9s de mecanismos nos quais<em>&nbsp;se \u00e9 falado por<\/em>&nbsp;(INDURSKY, 2000) a partir do&nbsp;<em>discurso sobre<\/em>&nbsp;(ORLANDI, 1990). Ou seja, algo que, por mais que estejam \u201cna melhor das inten\u00e7\u00f5es\u201d pode vir a ser extremamente nocivo para os ac\u00famulos gerados pelo movimento nacional de prostitutas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como pudemos acompanhar, segurando o boi pelo chifre e batendo o p\u00e9 no ch\u00e3o, as protagonistas desde a virada do s\u00e9culo mais do que nunca na hist\u00f3ria deste pa\u00eds tiveram condi\u00e7\u00f5es de n\u00e3o depender de mediadores facilitadores. Mas de representantes, de sujeitos legitimados pelo movimento que&nbsp;<em>falam por<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>em nome de<\/em>&nbsp;uma coletividade&nbsp;da qual pertencem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Rumo \u00e0 C\u00e2mara dos Vereadores e ao Congresso Nacional:<\/strong><br><strong>TODO PODER \u00c0S PUTAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">***<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><em>Agrade\u00e7o ainda a todas as lideran\u00e7as das tr\u00eas redes do movimento brasileiro de prostitutas na revis\u00e3o e escrita conjunta desse texto: Rede Brasileira de Prostitutas, Central \u00danica de Trabalhadoras Sexuais e Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Profissionais&nbsp;do Sexo. Meus agradecimentos mais carinhosos se estendem a<u>&nbsp;V\u00e2nia Rezende<\/u>&nbsp;(Pernambuco),&nbsp;<u>Cida Vieira<\/u>&nbsp;(Minas Gerais),&nbsp;<u>C\u00e9lia Gomes<\/u>&nbsp;(Piau\u00ed),&nbsp;<u>Indianara Siqueira<\/u>&nbsp;(Rio de Janeiro),&nbsp;<u>Ana Santos<\/u>&nbsp;(Amazonas) e&nbsp;<u>Diana Soares<\/u>&nbsp;(Rio Grande do Norte).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\"><li>BEIJO DA RUA. Rio de Janeiro: Coletivo Davida. Ano 28, n\u00famero 2, Dezembro de 2017.<\/li><li>DIVULGACANDCONTAS \u2013 Detalhes de Candidaturas brasileiras atuais e anteriores. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/divulgacandcontas.tse.jus.br\/divulga\/#&gt;. Acessado em 17 de Setembro de 2018.<\/li><li>DZIUBAN, Agata; STEVENSON Luca et all. Nothing About Us Without Us!: Ten Years of Sex Workers\u2019 Rights Activism and Advocacy in Europe. Amsterdam: International Comittee on the Rights of Sex Workers in Europe. Dezembro de 2015.<\/li><li>INDURSKY, Freda. A fun\u00e7\u00e3o enunciativa do porta-voz do discurso sobre o MST. Rio de Janeiro, Alea, v.2, p.17-26, Do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Letras Neolatinas, UFRJ, set. 2000.<\/li><li>ORLANDI, Eni. Terra \u00e0 vista. Discurso do confronto: Velho e Novo Mundo. Campinas: Ed, Unicamp, 2a ed., (1990), 2008.<\/li><li>ORLANDI, Eni.&nbsp;Sil\u00eancio&nbsp;e Impl\u00edcito (produzindo a monofonia). In: GUIMAR\u00c3ES, E (org). Hist\u00f3ria e sentido na linguagem, incluindo o texto de Michel Br\u00e9al. Campinas, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o aumentada, Editora RG, 2008. p.39-46<\/li><li>P\u00caCHEUX, M. Delimita\u00e7\u00f5es, invers\u00f5es e deslocamentos. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Horta Nunes. Cadernos de Estudos Lingu\u00edsticos, Campinas, v.19, p.7-24, 1990.<\/li><li>SASSAKI, Romeu Kazumi. Nada sobre n\u00f3s, sem n\u00f3s: da integra\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/289245278\/download&gt;, publicado em 22 de Junho de 2018 e acessado em 17 de Setembro de 2018.<\/li><li>SKACKAUSKAS, Andreia. Prostitui\u00e7\u00e3o, g\u00eanero e direitos: no\u00e7\u00f5es e tens\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es entre prostitutas e Pastoral da Mulher Marginalizada. 2014. 313 p.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Publicado originalmente em: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2018\/09\/18\/nada-sobre-nos-sem-nos-ou-pelo-direito-de-representar-nos-mesmas\/#:~:text=%22Nada%20sobre%20n%C3%B3s%20sem%20n%C3%B3s,de%20representar%20n%C3%B3s%20mesmas%20%2D%20%23Lingu%C3%ADstica&amp;text=De%20acordo%20com%20Eni%20Orlandi,ao%20se%20constituir%20na%20l%C3%ADngua.\">#Lingu\u00edstica<\/a>.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por Maria Fernanda com\u00a0Maur\u00edcio Oliveira Desde o final do s\u00e9culo XX se inscreveram na mem\u00f3ria social outros sentidos poss\u00edveis para prostitui\u00e7\u00e3o. Ressignifica\u00e7\u00f5es trabalhistas, feministas e de luta coletiva dos trabalhadores organizados abalaram antigas certezas vitimistas e resgatistas por meio da enuncia\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias pessoas que se prostituem, realizadas no singular ou no plural. 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