
O que há para além da indignação? A raiva, seguramente; ou talvez ela venha antes. Independentemente da ordem, eis a questão: qual é a paisagem que vislumbram aqueles que atravessam o agitado tumulto desses terríveis sentimentos? Sem dúvida, é uma paisagem inóspita e desolada, um deserto escuro capaz de dissuadir inclusive o peregrino mais empenhado e fazê-lo desviar o caminho, abrir-se pela tangente, lançar-se mato dentro e talvez construir uma cabana na montanha onde, isolado em terapêutico retiro, possa recuperar forças e tentar esquecer.



A Revolução Genética tem na história recente uma série de acontecimentos fundamentais. Na segunda metade do Século XX a biologia molecular despontava. A técnica do DNA recombinante deu lugar à produção de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), transformando a agricultura e pecuária rapidamente. Na década dos 70, surgiu o primeiro animal transgênico; na dos 90, iniciou-se uma força-tarefa para mapear o genoma humano (Projeto Genoma). Em 2003, após um trabalho fantástico, a comunidade científica internacional anunciou que o sequenciamento fora concluído com sucesso. Poucas semanas atrás tornou-se público e “oficial”, finalmente, o nascimento de Abrahim Hassan: primeiro ser humano geneticamente projetado.