Cidades inteligentes

Neste tema, são apresentadas quatro sub-áreas temáticas na gestão das cidades que podem contribuir para o debate em sala de aula:

Cidades inteligentes

Introdução

O relatório Situação da População Mundial, lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU, 2019), prevê que a população global chegará perto de 10 bilhões de pessoas em 2050. Destas, estima-se que 70% viverá em centros urbanos.

Considerando esse cenário, com as populações dos centros urbanos em amplo crescimento, como garantir que as cidades cresçam de forma resiliente e sustentável e possam garantir serviços básicos de qualidade, como gestão de resíduos, distribuição de energia, distribuição de alimentos, mobilidade urbana, saúde e segurança pública?

O conceito de “cidades inteligentes” (smart cities, em inglês) surgiu seguindo essa provocação. Elas integram gestão pública e a participação ativa dos cidadãos com o objetivo de melhorar os vários domínios das cidades (segurança, saúde, limpeza, transportes, iluminação pública, mobilidade, entre outros).

Para isso, utilizam de recursos tecnológicos e de inovação, como inteligência artificial, monitoramento em tempo integral da dinâmica das cidades, coleta de dados via uso de aplicativos e feramentas digitais de uso dos cidadãos, entre outros, buscando melhorar a qualidade de vida dos habitantes, aumentar o valor econômico gerado naquela comunidade e promover a sustentabilidade ambiental.

Ou seja, as cidades inteligentes integram tecnologia com a dinâmica de vida dos habitantes, coleta dados, analisa estes dados para entender as dinâmicas e demandas dos moradores e assim prover serviços mais eficientes e que economizem recursos públicos e evitem o desperdício de energia, água, uso do espaço público etc.

A Educação para a Sustentabilidade tem um papel fundamental dentro desse conceito, no sentido de preparar os cidadãos para que olhem para as suas cidades de forma crítica e que visualizem soluções que tornariam esses territórios mais eficientes, saudáveis e sustentáveis.

É importante destacar que, hoje, o conceito de cidades inteligentes está muito vinculado à tecnologia, ao uso de câmeras, de computadores, de celulares e de outros equipamentos para deixar a cidade mais eficiente.

Porém, muitas soluções para tornar as cidades melhores lugares para se viver não precisam, necessariamente, de alta tecnologia, mas sim resgatar hábitos perdidos e promover infraestrutura para tais, por exemplo: ampliar a arborização urbana, que melhora a qualidade do ar; e planejar a mobilidade humana de modo mais eficiente (a pé ou com bicicletas, demandando menos uso do espaço, menos poluição do ar e sonora e mais saúde para a população.

Estudo de Caso:

Singapura: a cidade mais inteligente do mundo

Todos os anos, o Observatório das Cidades Inteligentes (Smart Cities Observatory, em inglês) divulga um ranking das cidades mais inteligentes do mundo. A metodologia baseia-se em pesquisas com os habitantes de 118 cidades, onde os habitantes das cidades dizem o quanto a tecnologia de suas cidades está ajudando a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. A coleta da opinião dos habitantes é feita online e avaliada por uma equipe de pesquisadores do Observatório das Cidades Inteligentes. No último ranking, publicado em 2021, a cidade-estado de Singapura, ao sul da Malásia, foi considera a cidade mais inteligente do mundo. 

Neste vídeo, é possível entender algumas razões para Singapura estar no topo da lista das cidades mais inteligentes do mundo:

Ao mesmo tempo em que Singapura é considerada a cidade mais inteligente do mundo, ela também tornou-se a cidade mais cara para se viver em todo o planeta. Viver em Singapura é tão caro que muitas pessoas trabalham na cidade, mas precisam viver em subúrbios afastados ou até mesmo no país vizinho, a Malásia, deslocando-se diariamente para trabalhar na cidade-estado. O pesquisador e escrito bielorusso, Evgeny Morozov, autor do livro “As cidades inteligentes”, associa várias práticas de implementação de tecnologias para cidades inteligentes com a gentrificação, mostrando como esse modelo atrai grandes empresas de tecnologia, amplia o turismo, mas ao mesmo tempo encarece o custo de vida, fazendo com que, a exemplo de Singapura, a população local precise migrar para os subúrbios das cidades.

Veja AQUI entrevista de Evgeny Morozov sobre os desafios por trás das cidades inteligentes.

Se o conceito de cidade inteligente estiver conectado com cidades caras para se viver, isso já coloca em cheque a sustentabilidade de tal modelo. Se ele criar exclusões e desigualdades, não pode ser considerado sustentável, uma vez que sustentabilidade está aliada ao princípio do equilíbrio entre os pilares econômico, social e ambiental. Ou seja, se uma cidade inteligente contribui para a eficiência do uso dos recursos econômicos da cidade, utilizando menos recursos naturais, mas impactando negativamente na qualidade de vida das pessoas, esse tripé da sustentabilidade é quebrado.

Além disso, o alto uso de tecnologias para o monitoramento da cidade e para políticas de segurança fez com que as pessoas em Singapura tenham suas liberdades individuais ameaçadas. Por exemplo, na cidade, há robôs policiais que aplicam multas a pessoas que cometem “crimes”, como mascar chicletes. Ou seja, as pessoas passam a viver com a sensação de terem suas vidas monitoradas a todo o tempo, sem espaço para a privacidade ou mesmo a proteção de seus dados. É como viver diariamente dentro de um “Big Brother”.   

Dicas para a sala de aula

O conceito de cidades inteligentes é relevante nos dias de hoje e pode ser um aliado do professor no trabalho com sustentabilidade em sala de aula, que deve conectá-lo com a vida cotidiana de seus estudantes. Mas é importante apresentar um olhar crítico e questionador, que não se limite somente a exaltar o uso de altas tecnologias para garantir mais eficiência às cidades, mas também problematizar o quanto tais tecnologias realmente melhoram a vida das pessoas, reduz desigualdades e cria acessibilidade.

Pode-se propôr um exercício de redação ou desenhos sob o tema “minha cidade ideal”. Então, com base nos modelos de cidades ideiais do estudantes, é interessante discutir o quanto esses sonhos e desejos dialogam com o conceito de cidades inteligentes.

Organizados em grupos, os estudantes podem pesquisar casos de cidades inteligentes no Brasil e no mundo e apresentá-los para toda a turma. Instigue os participantes a terem um olhar crítico e refletirem sobre os prós e contras dos casos apresentados, além de pedir que pensem como eles veem as práticas do caso apresentado sendo efetivamente implementadas nas cidades. Quais seriam os desafios enfrentados?

Outra sugestão é pedir aos estudantes que entrevistem moradores do bairro onde a escola se encontra ou familiares, com o objetivo de descobrirem o quão satisfeitas eles estão com a cidade/bairro e o que precisa ser melhorado. Com base nas entrevistas, os estudantes podem refletir sobre o que poderia ser feito para tornar a cidade/bairro mais inteligente utilizando o conceito de cidades inteligentes.

Materiais de referência

guias acessíveis e abertos

Conteúdo educacional relevante, crítico e aprofundado!