O uso da água

Introdução

Uma das consequências das alterações climáticas é a diminuição da disponibilidade hídrica para as áreas urbanas. Ao mesmo tempo, a procura pela água deve aumentar 80% até o ano de 2050 nas cidades. Tendo em vista a realidade brasileira, em que a população urbana é de 84,72%  do total da população do país (PNAD, 2015 – acesso disponível na lista de materiais de referência), as zonas urbanas exercerão cada vez mais pressão sobre os ecossistemas e recursos naturais, dentre eles os recursos hídricos. 

No caso do Brasil, infelizmente, a organização e o crescimento das cidades ocorreu sem o devido planejamento e gestão, fazendo com que parte da população do país não tenha acesso aos serviços de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto. Essa realidade é evidenciada com os dados do Sistema Nacional de Informações Saneamento (SNIS, 2018), que apontam que, em 2018, 83,6% dos brasileiros possuíam acesso ao serviço de abastecimento de água e 53,2% era atendida com coleta de esgoto.

Face a essa realidade, está a necessidade em se garantir o acesso à água a uma população cada vez mais crescente nos centros urbanos. No Brasil, a maior parte da água consumida nas cidades vem dos rios, por isso, é importante a preservação deles para que o recurso não falte no futuro. Os mananciais – locais de onde retira-se água da natureza para o consumo – sofrem cada vez mais pressão da expansão urbana sobre as áreas de mananciais e também da ocupação para a agropecuária, o que coloca em risco o acesso à água.

Devido à particularidade de cada local, não existe uma fórmula única de como gerenciar os recursos hídricos. Por isso, traremos os casos de alguns países que são referências na melhora da gestão desses recursos.

 Mas, antes disso, confira um vídeo que mostra um pouquinho sobre o papel transformador e essencial da água na vida das pessoas:

Estudo de Caso

O caso da Austrália

A Austrália é um país continental com grande parte do território com poucas chuvas. Para combater a falta de água no país, foram realizados investimentos em infraestrutura (como a melhoria das tubulações de abastecimento), que ajudaram a diminuir os vazamentos no sistema e, assim, economizar água.

Também foi criado um sistema para o reúso da água. Com ele, a água residual das casas segue para um reservatório e, depois de tratada, volta a ser utilizada em atividades que não necessitam de água potável, como a limpeza de casas e carros, a rega de jardins e a lavagem de roupas.

Também ocorreram investimentos em usinas que retiram o sal da água do mar, tornando-a potável. 

 

O vídeo a seguir é um minidocumentário que mostra como a Austrália lidou com uma das maiores crises hídricas do mundo, tornando-se um país referência em gestão e abastecimento dos recursos hídricos:

O caso de Israel

Nesse país do Oriente Médio, localizado em uma região desértica, foram implementadas diversas técnicas para melhorar a gestão da água.

Por exemplo, na agricultura foi desenvolvida uma técnica de gotejamento para irrigar as lavouras; assim, a água é direcionada para as raízes das plantas, evitando o desperdício.

No vídeo a seguir é possível ver como 50% da água utilizada em toda a agricultura de Israel é água de reuso:

Também o saneamento recebeu muitos investimentos, com a coleta e tratamento do esgoto, e posterior reutilização dessas águas. A dessalinização também é uma das práticas comuns no país, que conta com pelo menos cinco usinas que retiram o sal da água do mar.

Aliada a essas ações e investimentos, tem-se também um intenso esforço na educação ambiental para a sensibilização da população.

O caso de Singapura

A população de Singapura conta com 100% de água tratada e 100% do esgoto coletado e tratado, sendo que esse ainda é reutilizado depois do tratamento.

Para chegar nesse patamar, no país existe uma grande rede de infraestrutura de coleta da água das chuvas, além de usinas de dessalinização, ações de combate a vazamentos e extensa campanha de conscientização e sensibilização da população para evitar o desperdício de água.

Pode-se citar que uma das ações de educação ambiental em Singapura é o estímulo à compra de produtos de baixa pegada hídrica, com o implemento de etiquetas de eficiência energética nos produtos colocados à venda para a população.

Esse artigo conta um pouco mais sobre os esforços dessa cidade-estado para sensibilizar a população a respeito do uso consciente da água.

Conclusão

Como foi possível notar nos exemplos citados anteriormente, a dessalinização da água é uma das principais alternativas adotadas para garantir o abastecimento da população.

Mas, se essa alternativa é tão interessante, porque não a vemos implementada em todo o mundo? 

Além de ser um processo extremamente caro, que faz com que prioritariamente só os países mais ricos consigam adotá-la, o processo de dessalinização demanda um consumo altíssimo de energia (na maioria das vezes a energia utilizada é fóssil, ou seja, de alto impacto ambiental).

Além disso, o resíduo gerado por esse processo ainda não tem uma finalidade adequada e retorná-lo ao mar pode gerar outros impactos ambientais, como a redução de oxigênio na água e a morte de espécies marinhas.

Ou seja, não existe receita pronta para os desafios de gestão dos recursos hídricos, abastecimento e saneamento.

Eles vão depender dos recursos disponíveis em cada localidade e de como usá-los de formas sustentáveis e pouco impactantes ao ambiente.

O vídeo a seguir conta um pouco mais dos desafios de utilizar a dessalinização como solução para a gestão de recursos hídricos:

Dicas para a sala de aula

É importante desmistificar que a água é um recurso abundante e infinito; assim, propomos algumas sugestões de como se trabalhar com o tema em sala de aula:

  • Pesquisar com alunos de onde vem a água que chega em suas casas e conhecer os mananciais de abastecimento podem ser formas de sensibilizá-los sobre a necessidade de preservação e recuperação dessas áreas.

 

  • Também é possível sugerir pesquisas sobre o quanto de água é utilizado no processo produtivo dos produtos consumidos por eles.

 

  • Outra ideia que pode ser interessante, é pedir aos alunos que levem a conta de água para a escola e, em sala de aula, comparar o consumo das famílias com a média geral da turma. Com base nisso, pode-se fazer discussões a respeito de como esse consumo pode ser reduzido.

 

  • Pode-se determinar, com os alunos, práticas de uso racional da água, como a conscientização da comunidade por meio de campanhas desenvolvidas por eles.

 

  • É interessante também unir os alunos e a escola para o desenvolvimento de projetos de captação da água das chuvas e reuso da água na escola.

Materiais de referência

guias acessíveis e abertos

Conteúdo educacional relevante, crítico e aprofundado!